Revisão do PIB obriga governo a investir mais R$ 2,7 bilhões na saúde, defendem parlamentares
Publicado em 27/11/2006 16:53
Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Rafael
Guerra (PSDB-MG), cobrou hoje (4) a liberação de R$ 2,7 bilhões a mais
para a área. O deputado disse que esse acréscimo, calculado pela
Comissão Mista de Orçamento, decorre das mudanças no método do cálculo
do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas
no país.
Com as alterações, o crescimento da economia
brasileira em 2006 mudou de 2,9% para 3,7%, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Guerra disse que
apresentou o valor corrigido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
com quem se reuniu pela manhã. “Eu disse a ele que nós vamos abrir luta
para conseguir esses recursos e que a equipe econômica vai ter que
cumprir a Constituição”, afirmou o parlamentar após o encontro, do qual
participaram cerca de 50 integrantes da Frente Parlamentar da Saúde. O
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já havia revelado que o
governo estuda a possibilidade de fazer a reposição.
De acordo
com o parlamentar, o "débito de R$ 2,7 bilhões" refere-se a um período
de seis anos. O pagamento, segundo o deputado, é necessário para que o
governo cumpra a Emenda Constitucional 29, que prevê que o orçamento da
área de saúde não pode ser menor do que do ano anterior, acrescido da
variação nominal (crescimento real mais inflação) do PIB.
“O
orçamento da saúde, de acordo com a Constituição, tem que contemplar a
variação nominal do PIB, portanto o crescimento do PIB se reflete
diretamente no orçamento da saúde. Como houve um novo cálculo do PIB
dizendo que ele cresceu mais do que o que se falou nos últimos seis
anos, então ao longo desses seis anos acumulou-se uma dívida de R$ 2,7
bilhões, que têm que ser acrescidos ao orçamento da saúde”.
Em entrevista a emissoras de rádio parceiras da Radiobrás na última quinta-feira (29), o ministro Paulo Bernardo admitiu que o governo teria que fazer um novo cálculo dos gastos com saúde para este ano, justamente para cumprir a Emenda Constitucional 29.
“Vamos
ter que mudar certamente o cálculo do que tem que ser dispendido de
recurso na área de saúde. Isso significa adequar o Orçamento, remanejar
recursos, dar prioridade na hora que formos liberar recursos que
ficaram de reserva. Claro que nós íamos ter que dar prioridade para a
saúde e agora vai ter que ser mais ainda. Com certeza isso é um
problema que já está sendo equacionado porque não temos como escapar
disso”, disse Bernardo na ocasião.























