População: Estados Unidos reduzem a ajuda humanitária
Publicado em 27/11/2006 16:53
Por Thalif Deen, da IPS
Nova York, 10/04/2007 – Uma possível redução orçamentária de 25% na
ajuda internacional de populações para 2008 pelos Estados Unidos
afetará sua guerra contra o terrorismo, alertou a Population Institute,
organização não-governamental com sede em Washington. Seu president,
Lawrence Smith, disse que especialistas em segurança e inteligência,
incluída a Agência Central de Inteligência (CIA), “alertaram por várias
vezes que os países abaixo da escala de desenvolvimento, com altos
índices de fertilidade e uma vasta população de jovens, são propícios
para o recrutamento terrorista”.
“Por que não haverá fundos para serviços claramente voltados a um dos
fatores-chave que contribuem com a existência, a maior quantidade e a
falta relativa de progresso nas condições de vida nos países mais
pobres?”, perguntou Smith. “É claro que a prevenção é mais rentável e
precisamos restaurar os fundos nesse âmbito”, disse à IPS,
acrescentando que “esse é outro aspecto surpreendente de um presidente
(George W. Bush) que trava uma guerra mundial contra o terrorismo”.
Smith recordou que Bush pedira uma redução para o ano fiscal 2008, que
começa em outubro, de US$ 116 milhões nos fundos de população, que
neste período são de US$ 434 milhões. Em 2005, esses fundos foram de
US$ 437 milhos e em 2006 de US$ 436 milhões. Com base em estatísticas
do Banco Mundial, Smith diz que em nove dos 10 países classificados
como “severamente frágeis”, os jovens menores de 15 anos constituem 40%
ou mais da população.
Essas nove nações são Angola, República Centro-Africana e Libéria, com
47% cada uma; Somália e Afeganistão com 45%; Sudão com 44%; Haiti com
42%; Zimbábue com 41%, e Ilhas Salomão com 40%. O único país entre as
10 nações com menos de 40% de sua população com menos de 15 anos é a
Birmânia, com 32%.
Ao falar em um painel sobre operações exteriores do Comitê sobre
Apropriações da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, na semana
passada, Smith explicou que não é que se pense que todos os jovens dos
países menos desenvolvidos são potenciais candidatos a atacantes
suicidas. “Mas, muitos mais do que um poderiam estar dispostos a seguir
um líder carismático, mas equivocado do ponto de vista político e
religioso, que os guia por um caminho problemático, de caos, violência
e até conflitos armados”, argumentou.
Um informe da Organização das Nações Unidas, que será discutido na
reunião da Comissão sobre População e Desenvolvimento que acontece esta
semana, revela que todos os países sofrem algumas mudanças em sua
estrutura etária. Mas, como os países estão em diferentes fases de
transição demográfica e experimentam condições sociais e econômicas
diferentes, a mudança é mais acentuada m alguns deles. “As nações em
desenvolvimento seguem se caracterizando pelos altos níveis de
fertilidade e a pouca quantidade de pessoas mais velhas”, diz o estudo.
A África conta com a maior quantidade de jovens, 41% de sua população
tem menos de 15 anos e apenas 5% têm 60 anos ou mais. Por outro lado,
as nações mais desenvolvidas possuem população mais idosa. Contam com
17% de menores d 15 anos e 20% com 60 anos ou mais. A proporção de
maiores de 60 anos aumenta rapidamente na Europa ocidental, América do
Norte e Japão. “O legado dos altos índices de fertilidade do passado é
o atual crescimento acelerado de população e a maior geração de jovens
da história”, acrescenta o documento.
Nos países pobres, os jovens representam 29% da população, equivalentes
a 1,5 milhão de pessoas. As nações ricas têm mais de 238 milhões de
jovens, que representam apenas 20% d seus habitantes. “A mutante
pirâmide de idades tem implicações sociais e econômicas significativas
no âmbito individual, familiar, da comunidade e da sociedade. Também
tem conseqüências importantes para o desenvolvimento de um país”, diz o
estudo. Smith afirmou que o rápido crescimento populacional é um dos
fatores-chave da própria existência de Estados frágeis, sua maior
quantidade e a relativa falta de progresso em matéria de
desenvolvimento.
As mulheres de sete dos 10 Estados mais frágeis dão à luz uma média de
quatro meninos e meninas. E em Angola, Afeganistão, Libéria e Somália
elas têm, em média, sete filhos. Segundo Smith, a Organização das
Nações Unidas informa que 137 milhões de mulheres no mundo carecem de
anticoncepcionais modernos e aprovados pela comunidade médica, e que 64
milhões utilizam métodos tradicionais de planejamento familiar, menos
confiáveis do que os demais.
É desconcertante, disse Smith à IPS, que o presidente Bush, “que
declarou que uma das melhores formas de prevenir o aborto é fornecendo
serviço de planejamento familiar voluntário de qualidade”, não torne os
anticoncepcionais acessíveis aos 137 milhões de mulheres que desejariam
prevenir ou adiar a gravidez e não utilizam método algum. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade de pessoas e casais
que querem evitar gerar filhos ou adiar a gravidez supera em duas ou
mais vezes a dos que utilizam anticoncepcionais.
“Definitivamente, existe a necessidade de assistência em mátria de
planejamento familiar”, afirmou Smith. Além disso, a esmagadora maioria
dos Estados frágeis declarou, como uma questão de política oficial, que
suas taxas de natalidade são muito altas. “O que fica por responder é a
pergunta se temos ou não vontade política de satisfazer as necessidades
não cobertas”, acrescentou. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/ IPS)























