Municípios podem deixar de cumprir Lei de Responsabilidade Fiscal
Publicado em 27/11/2006 16:53
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
Estudo da CNM
(Confederação Nacional de Municípios) indica que cerca de 500
municípios, a maioria do Norte e Nordeste, podem não cumprir a LRF (Lei
de Responsabilidade Fiscal) por causa do reajuste do salário mínimo
para R$ 380. A LRF limita o gasto das prefeituras com a folha de
pagamento em 54% da receita.
A CNM --organizadora da 10ª Marcha
a Brasília em Defesa dos Municípios, que começa hoje e vai discutir,
entre outras coisas, o impacto do salário mínimo nas contas
municipais-- sugere que seja criado um fundo de compensação de R$ 400
milhões por ano para os municípios que correm o risco de extrapolar o
limite da LRF.
O último relatório elaborado pela Secretaria do
Tesouro Nacional sobre as receitas e despesas de 4.163 municípios em
2005 mostra que 261 municípios não cumpriram a LRF e que 499 gastavam
entre 50% e 54% da receita com pessoal.
"Esses [499] municípios
estão enquadrados no limite de gastos com pessoal e podem estourar o
limite por causa do aumento do salário mínimo", disse Augusto Braun,
diretor técnico da CNM.
Segundo levantamentos feitos pela CNM e
pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),
cerca de 60% da folha de pagamentos da maioria dos municípios do
Nordeste e cerca de 50% dos funcionários municipais da região Norte
recebem até 1,5 salário mínimo.
Nessas cidades, o reajuste de 8,57% no salário mínimo vai gerar uma despesa extra de 5,14%.
Corte de pessoal
A
CNM concluiu, em seu estudo, que, "além de [os municípios] terem de
demitir pessoal, a prestação de serviços à comunidade vai piorar. Se
mesmo demitindo pessoal não lograrem atingir o limite de gastos
permitido [em oito meses], serão punidos com a interrupção das
transferências de recursos da União e dos Estados".
Um dos
municípios prestes a descumprir a LRF é Picuí (231 km de João Pessoa).
Segundo o prefeito da cidade, Rubens Germano Costa (PSDB), em 2006 o
gasto com a folha de pagamento atingiu 53,7%.
"Eu fiquei no
limite prudencial. Então, se não houver ampliação de receitas no meu
município, eu vou ter que dar o reajuste salarial e fazer ajustes no
quadro de pessoal, o que pressupõe cortes, principalmente de cargos
comissionados", disse Costa, que também é presidente da Federação das
Associações de Municípios da Paraíba.
A Paraíba é o Estado em que mais funcionários municipais recebem até 1,5 salário mínimo --65,15%.
Compensação
A
proposta da CNM ao Congresso Nacional é a de criar um fundo de
compensação de R$ 400 milhões por ano para os municípios que podem
extrapolar o limite da LRF por causa do aumento do salário mínimo.
O
Ministério da Fazenda, contatado pela reportagem, não respondeu ontem
se há previsão orçamentária para a criação de um fundo desse tipo.
Além
da compensação, a CNM espera o repasse de R$ 6 bilhões, que se referem
ao aumento de um ponto percentual (de 22,5% para 23,5%) no Fundo de
Participação dos Municípios --bolo de tributos partilhado com as
prefeituras pela União-- e à implantação do Fundeb, o fundo para
educação básica.























