Movimentos sociais acampam em Brasília por repasse de recursos para fundo de habitação
Publicado em 27/11/2006 16:53
Bárbara Lobato
Da Agência Brasil
Brasília - Manifestantes de movimentos pela moradia montaram
acampamento ontem (10) no estacionamento do Ministério das Cidades para
reivindicar, dentre outras medidas, o repasse de recursos para o Fundo
Nacional de Habitação de Interesse Social.
Segundo umas das
representantes do movimento União Nacional por Moradia, Evaniza
Rodrigues, o acesso da população nas decisões sobre o destino dos
recursos públicos para moradia popular é um avanço democrático. Ela
lembra que cidades como Goiânia (GO), Fortaleza (CE) e Porto Alegre
(RS) já têm cooperativas que atuam como agentes promotores da habitação.
"A
cooperativa atua em orgãos públicos para aprovar projetos e recursos.
Além disso, presta contas à comunidade e se preocupa com aspectos
sociais", disse. "O que acontece é que o governo cria vários conjuntos
habitacionais e não se preocupa com o impacto social, como montar uma
creche ou uma escola. Então os conjuntos acabam virando um depósito de
gente".
Os manifestantes pretendem ficar acampados até hoje
(11). De acordo com o ministro Márcio Fortes, as reivindicações serão
analisadas e levadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alcir
Vicente, morador da zona Oeste do Rio de Janeiro, lembra que moradia é
um direito de todos os brasileiros. Ele veio a Brasília para pedir a
construção de mais moradias populares. Aposentado, ele mora com o filho
adolescente e paga R$ 250 de aluguel por mês.
"Eu me viro como
posso para completar a renda, porque só com o salário mínino da
aposentadoria não dá. Quero que meu filho estude e tenha uma vida
melhor, e faço isso com muito sacrifício." Para Jurema da Silva, que
vive em Jacarepagua, também no Rio, a solução para o déficit
habitacional é a reivindicação coletiva da sociedade. Ela mora com o
marido, a filha e a neta em uma cooperativa habitacional.
A família vive com uma renda de um salário mínimo e meio por mês.
"O
que me faz participar de um movimento como este é que só com a luta
coletiva é que o brasileiro vai conseguir algum benefício. Eu acredito
nas necessidades das outras famílias e quero ajudar."























