Lula e Correa discutem formação de Banco do Sul
Publicado em 27/11/2006 16:53
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A criação de um Banco do Sul foi discutida hoje (4) entre os
presidentes Rafael Correa, do Equador, e Luiz Inácio Lula da Silva, do
Brasil. Em entrevista após o encontro, Correa defendeu o banco como
instrumento de financiamento de governos da região. A instituição,
segundo Correa, funcionaria como um Fundo Monetário Regional, fazendo
com que os países latino-americanos não precisassem mais pedir socorro
financeiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Mundial e a
governos de países ricos.
"A América Latina tem cerca de US$ 200
bilhões em reservas investidas no exterior, sobretudo no primeiro
mundo. Em outras palavras, uma região pobre como a América Latina está
financiando o primeiro mundo, é um absurdo”, afirmou Correa. "Essas
reservas unidas podem constituir um fundo, que chamamos de Banco do
Sul, para financiar os próprios governo da região e a América Latina
não requereria financiamento extraordinário extraregional”, alegou.
O
assessor da presidência para assuntos internacionais Marco Aurélio
Garcia confirmou que o governo brasileiro considera “boa”, com
ressalvas, a idéia de uma instituição financeiro para a região. "Os
projetos que apareceram até agora de Banco do Sul não têm consistência
técnica", afirmou. Segundo ele, Correa vai propor uma reunião de
ministros da Fazenda para que o projeto possa ganhar “consistência
técnica”. “A posição que o Brasil tem defendido é muito mais de criar
um sistema financeiro sul-americano que também envolve outras questões,
como o acordo que chegamos com a Argentina de comércio em moeda
nacional”, revelou.
O presidente Lula tem interesse no projeto,
segundo Correa. "Ao presidente Lula interessa a idéia. O que me disse é
que houve certa confusão de conceitos”, relatou. De acordo com o
presidente equatoriano, um primeiro esboço do Banco do Sul, feito por
ministros da economia do Equador, Bolívia, Argentina e Venezuela,
previa um banco de desenvolvimento. “Isso já existe, é a CAF
[Corporação Andina de Fomento]. A idéia é fazer um Fundo Monetário
Regional que sirva para financiar os países e que seja o preâmbulo para
um futuro Banco Central, para o dia em que toda a região tenha uma
moeda única.”, propôs, defendendo que a América Latina deve buscar uma
moeda regional. “No século 21, globalizado e bastante cruel, muito
dificilmente as moedas nacionais dos países pequenos e pobres
sobreviverão”, avaliou.
O Banco do Sul foi em fevereiro pelos
governos de Argentina e Venezuela. Depois, Equador e Bolívia aderiram.
Brasil e Paraguai participam como observadores.























