Lula dá gestão da crise à Aeronáutica e Waldir Pires fica fora
Publicado em 27/11/2006 16:53
Por Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Defesa, Waldir Pires, saiu de cena. Ao transferir a gestão da crise no setor de aviação ao comando da Aeronáutica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs por completo a avaliação do governo de que o titular da pasta perdeu todas as condições de conduzir um solução para o problema. Em reunião com o conselho político de governo nesta segunda-feira, o presidente mostrou-se muito aborrecido com o comportamento dos controladores de vôo e já promete não interferir caso os controladores militares sejam punidos por insubordinação, desautorizando desta vez o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que havia prometido coibir sanções aos profissionais do tráfego aéreo.
"A partir do momento que a Aeronáutica assume o comando, não haverá qualquer tipo de vacilo com esses militares amotinados", afirmou a jornalistas, após o encontro, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo.
Internamente, a avaliação é de que ainda não há controle da situação dos aeroportos do país, tampouco a segurança de que será possível evitar novos "motins".
O teste, segundo relatos de políticos presentes ao encontro, será o feriado da Semana Santa. Se a situação persistir, Lula fará um pronunciamento à nação.
"O presidente mostrou-se preocupado com a Páscoa. Se houver problema, ele deve ir à TV fazer um pronunciamento", afirmou a jornalistas o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO).
Apesar de ter atuado para impedir a prisão de controladores militares na última sexta-feira, amotinados no Cindacta de Brasília em greve de fome, Lula repetiu a aliados que não quebrará a disciplina militar.
Há quatro dias, de modo a evitar uma paralisação completa nos aeroportos do país, Paulo Bernardo assinou a minuta de um acordo assegurando que "não serão praticadas punições em decorrência da manifestação ocorrida em 30 de março".
A jornalistas, nesta segunda, ele voltou atrás e disse que não prometeu anistia a ninguém.
MINISTRO DESGASTADO O sentido político de transferir ao brigadeiro Juniti Saito a administração da crise é devolver autoridade à Aeronáutica, após o presidente ter impedido a prisão de controladores militares na semana passada. Com esse movimento, no entanto, Lula não se esforça mais para esconder o desgaste do ministro da Defesa no controle da crise aérea.
Desde sexta-feira, Pires desapareceu por completo das articulações sobre o assunto.
O presidente chegou a pensar em tirá-lo do cargo durante a reforma ministerial, mas desistiu da idéia por não querer desmoralizá-lo. Ainda não corre nos gabinetes do Palácio o rumor de que Waldir Pires está demissionário, mas fontes do governo dizem que sua saída da pasta "é só uma questão de tempo".























