Governo 'Lula 2' inicia com popularidade alta e próxima à de 2003
Publicado em 27/11/2006 16:53
Após ‘bolha de otimismo’ em dezembro, aprovação de Lula e sua gestão estabiliza-se em nível elevado e similar a índices do começo do 1º mandato, diz pesquisa CNI/Ibope. Mas satisfação com políticas de combate à pobreza vem caindo.
André Barrocal – Carta Maior
BRASÍLIA
– A popularidade do presidente Lula e do governo dele no início do
segundo mandato está em patamar elevado e aproxima-se do nível
observado no primeiro ano da gestão inicial, quando a expectativa com a
estréia do PT no poder federal fazia a cabeça de muitos brasileiros. A
atuação do governo na área social, que sempre foi vedete no discurso e
nas ações petistas, continua em alta com a população e segura a
popularidade. Mas já não encanta como antes. Desde a reeleição, vem
diminuindo o contentamento com as políticas de combate à fome e à
pobreza, de saúde e educação, cujos índices de aprovação seguem
expressivos, mas distantes do que se via em 2003.
Atualmente,
53% brasileiros aprovam as ações federais de combate à fome e à
pobreza, segundo pesquisa do Ibope feita por encomenda da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta quinta-feira (12). Em
setembro, com a campanha eleitoral fervendo, a aprovação estava em 67%.
Em dezembro de 2003, em 73%.
Com os programas sociais de saúde
e educação, aconteceu o mesmo. A aprovação caiu de 58% para 52% desde
setembro de 2006, longe dos 61% do fim de 2003. “A pesquisa deixa claro
que na melhor área do governo, houve uma queda na avaliação”, disse o
diretor de Relações Institucionais da CNI, Marco Antonio Guarita.
Apesar
da queda de “ibope” na área mais bem vista do governo, o presidente
Lula e sua administração exibem uma expressiva musculatura política,
como em 2003 e apesar do desgaste sofrido especialmente em 2005, em
função das diversas investigações de irregularidades por CPIs.
A
avaliação do governo é ótima ou boa para 49% dos 2002 entrevistados
pelo Ibope entre os dias 28 de março e 2 de abril. É o segundo melhor
resultado entre 18 levantamentos iguais feitos desde a primeira posse
do presidente Lula. Só perde para março de 2003 (51%) – e empata com
setembro do ano passado.
Em relação à pesquisa anterior,
divulgada em dezembro, a avaliação positiva do governo recuou – era de
57%. Segundo Guarita, essa comparação precisa ser relativizada porque o
último levantamento mostrou resultados “fora do normal”, uma “bolha de
otimismo” e um “excesso de euforia”. A “bolha”, disse ele, teria sido
“inflada” pelo clima da eleição, que ainda contaminava o humor dos
entrevistados, a expectativa de crescimento econômico maior, inflação
baixa e o pagamento do décimo-terceiro salário.
A crise do setor
aéreo, assunto negativo para o governo que não sai do noticiário,
também colaborou para a queda. “Mas o recuo não é suficiente para
indicar a queda da popularidade do presidente e seu governo. Os índices
revelam uma acomodação na avaliação num patamar bastante positivo”,
afirmou Guarita.
A pesquisa tem mais três índices que indicam a
alta popularidade do governo como um todo e do presidente Lula em
particular. A aprovação do governo está em 65%, patamar inferior apenas
ao período da “bolha de otimismo” (71%) e 2003 (começou em 75% e
terminou em 66%). A nota média do governo foi de 6,7. Perdeu para a
“bolha” (7) e para os seis meses iniciais de 2003.
No que diz
respeito à figura individual do presidente Lula, 62% dos entrevistados
disseram que confiam nele. O mesmo índice fechou 2003 em 69%, foi de
63% em novembro de 2004 e de 68% em dezembro do ano passado. Em outros
períodos, sempre esteve em nível inferior ao atual. “É uma confiança
considerável e bastante expressiva”, disse o consultor Amauri Teixeira,
um dos responsáveis pela análise da pesquisa.























