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É preciso ter políticas metropolitanas para retomar crescimento, diz especialista

Publicado em 27/11/2006 16:53

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Ig/Último Segundo

RIO DE JANEIRO – A região metropolitana do Rio de Janeiro mantém seu Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo nível há 30 anos. A grande São Paulo também não vê seu PIB crescer há 25 anos, segundo dados apresentados pelo diretor-executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), André Urani. Como e por que metrópoles grandes perderam sua vocação e deixaram de crescer?

Para o cientista político Fernando Abrúcio, da Fundação Getúlio Vargas, a recuperação de cidades, como o Rio de Janeiro e São Paulo, passa pela criação de políticas exclusivamente metropolitanas.

“As soluções nessas regiões não serão as mesmas que nos municípios do interior”, explica Abrúcio, completando que “é preciso pensar a metrópole como a agenda central de crescimento do País”.

Segundo o cientista político, um dos principais pontos dessa nova agenda seria a organização de políticas públicas específicas para as grandes cidades. Outra ação fundamental é repensar a relação entre os níveis de governo. “É difícil saber onde termina a cidade de São Paulo, por exemplo. Por isso, seria necessário um mecanismo que incentivasse a cooperação entre os três níveis de governo”, sugere Abrúcio.

O terceiro ponto levantado pelo especialista para revigorar as regiões é atrair a sociedade para esta questão. “O maior potencial de capital humano está nas metrópoles. A cooperação e a parceria entre o público e o privado seriam importantes. As grandes empresas do País precisam pensar na questão metropolitana”, ressalta. Para Abrúcio, a criação de um fórum consultivo de pressão e a participação da mídia no debate melhorariam essa parceria.

Reformas

O diretor do IETS, André Urani, também destaca a necessidade de reforma. “A América Latina está mais devagar do que a gente gostaria, ou seja, está crescendo menos do que poderia, porque não está sendo capaz de completar um ciclo de reformas institucionais que foi iniciado na década passada”, explica o diretor.

Essas reformas, porém, não são completadas, segundo Urani, porque enfrentam obstáculos políticos por parte de grupos de veto, que não são particularmente expressivos do ponto de vista estatístico, mas, são politicamente muito fortes. “São grupos importantes, mas não são majoritários, como funcionários públicos, aposentados, operários dos setores modernos”, exemplifica.

No Brasil, vale lembrar, São Paulo e Rio foram os grandes motores do desenvolvimento do País entre meados do século passado e 1980. Com a implosão do modelo de substituição de importações, as duas cidades começaram a “ver navios” e suas economias paparam há bastante tempo. “O custo das reformas está se concentrando nos lugares que eram as locomotivas do desenvolvimento. As reformas não estão erradas. O Brasil melhorou, nos últimos 10 ou 15 anos, mas essas coisas boas são menos verdadeiras nas regiões metropolitanas”, ressalta.

Para Urani, “as metrópoles estão perdendo as suas vocações que lhe deram origem. Hoje em dia, é difícil convencer alguém a levar sua indústria para o ABC. O Brasil não se desindustrializou, mas o ABC perdeu muita indústria. Mais do que pra China, as indústrias foram para o interior do Brasil”.

Experiências internacionais

Além de EUA, China e Índia, só o Brasil possui sete grandes regiões metropolitanas. Nos EUA, por exemplo, bairros de Nova York como o Brooklin e a cidade de Chicago conseguiram se reerguer. Barcelona, na Espanha, que passou por um processo de decadência na década de 80, também é lembrada por Abrúcio como um bom exemplo a ser seguido por São Paulo, Rio de Janeiro, e outras grandes cidades brasileiras. “Elas [Nova York e Barcelona] conseguiram crescer melhorando a governança local, criando um tipo de parlamento metropolitano, juntando representantes locais que têm o poder consultivo”, justifica.

Segundo o cientista político, as grandes cidades que deram certo criaram mecanismos que permitem pensar o futuro. “No Brasil, estamos sempre pensando do dia de amanhã. Qual é o longo prazo da região metropolitana de São Paulo ou do Rio? Ninguém pensa isso”, aponta. Abrúcio indica que uma das saídas é buscar melhorar as lideranças locais, como as associações comunitárias de bairros, as Câmaras e as Assembléias.

Seminário

Nos dias 12 e 13 de abril, Abrúcio, Urani, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre outros especialistas, discutirão saídas para as metrópoles durante seminário no Rio de Janeiro.

"O seminário tem como objetivo elaborar uma nova agenda de desenvolvimento para a América Latina", explica Urani. Os textos discutidos ao longo do seminário se transformarão em um livro que, segundo ele, buscará encontrar "novas vocações" para as grandes metrópoles latino-americanas.

As inscrições para o seminário, organizado pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso e pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, podem ser feitas pelo site do IETS. As vagas são limitadas e o evento é gratuito.

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