Debater sobre aborto já é avanço, avalia feminista
Publicado em 27/11/2006 16:53
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - É um avanço para o Brasil reconhecer a necessidade de
discutir com a população a legalização do aborto, como forma de reduzir
o número de mulheres que morrem em clínicas clandestinas, avalia a
socióloga Dulcelina Xavier, da organização feminista Católicas pelo
Direito de Decidir. Por isso, ela considera importante a declaração do
ministro da Saúde, José Carlos Temporão, sobre a necessidade de
discutir o assunto.
Mais que desmistificar o tema, Dulcelina
Xavier afirma que o debate deve incluir os motivos que levam as
mulheres a interromper uma gravidez. “É mais do que simplesmente não
querer ter um filho. A decisão envolve uma séria de questões como o
sub-emprego, os baixos salários, a inacessibilidade à políticas de
planejamento familiar e a rejeição pela família ou pelo companheiro".
As
mulheres recorrem ao aborto, segundo a socióloga, como opção diante de
uma situação difícil. A interrupção da gravidez passa a ser uma saída e
não um problema, apesar das cobranças culturais. “É claro que se
defende a prevenção e não o aborto como prática anticoncepcional. O
fundamental é o acesso à educação e ao planejamento familiar, com a
distribuição de camisinhas e anticoncepcionais, além da realização de
processo cirúrgicos mais complexos, para os quais nem sempre existe
recursos no sistema público e acabam indisponíveis para população”.
Entres os procedimentos mais caros, Xavier cita a implantação do DIU e
laqueadura de trompas.
De acordo como o Ministério da Saúde, o
aborto é a 4ª causa de óbito materno no país e a curetagem (coleta de
restos de tecidos do útero) é segundo procedimento obstétrico mais
praticado nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), superado apenas
pelos partos. Além disso, em 2004, cerca de 244 mil mulheres foram
atendidas para fazer curetagem ou tratar infecções pós-aborto.
Defender
o aborto, segundo Xavier, é compreender que as mulheres também têm
direito à vida. “Mas estão morrendo por conta de abortos feitos
clandestinamente”.
Segundo estimativas da Organização Mundial de
Saúde (OMS), metade das gestações são indesejadas e uma em cada nove
mulheres recorre ao abortamento. No Brasil, de acordo com o Ministério
da Saúde, 31% das gestações terminam dessa maneira. São cerca de 1,44
milhão de abortamentos espontâneos ou provocados.
O código penal
brasileiro só permite a realização de abortos em casos que envolvem
risco de vida para a mãe ou sejam gestações resultantes de estupro.
Católicos, evangélicos e espíritas fizeram uma manifestação hoje (09) contra a legalização do aborto em frente a um ginásio onde estava o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em Fortaleza (CE). Eles criticaram as declarações do ministro. Parlamentares também já haviam criticado Temporão.























