Centrais sindicais definem paralisações e mobilizações em protesto contra a Emenda 3
Publicado em 27/11/2006 16:53
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Sete centrais sindicais brasileiras aprovaram ontem (4), em
reunião plenária, paralisações e mobilizações em todo o Brasil na
próxima terça-feira (10) como forma de pressionar o Congresso Nacional
a manter o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda 3.
"A
idéia é uma paralisação na parte da manhã do dia 10 de abril envolvendo
vários atos, como ocupações de pontes, paralisações, atrasos na entrada
de trabalho", explicou o presidente da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Artur Henrique. "Cada sindicato vai estudar a melhor forma de
aprovar, em assembléia, uma forma de manifestação. À tarde, iremos a
Brasília, numa reunião com ministros e as centrais sindicais para se
tentar construir um processo de negociação”.
Além da CUT,
participaram da reunião, realizada na quadra do Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e região, a Força Sindical; a Confederação Geral
dos Trabalhadores; a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil; a Nova
Central Sindical dos Trabalhadores; a Social Democracia Sindical; e a
Central Autônoma de Trabalhadores.
“O ideal para nós, e não
vamos abrir mão disso, é que o Congresso Nacional apóie o veto do
presidente da República. Isso é fundamental, porque abre, inclusive, um
processo para possibilitar uma negociação e a abertura de uma outra
proposta. Não podemos permitir que os deputados queiram derrubar o veto
do presidente. Aí vai ser greve geral, grandes mobilizações e o povo na
rua”, acrescentou o sindicalista.
Ele classificou a Emenda 3 de
“um absurdo jurídico e político”. "Ela foi feita para tentar
regulamentar uma situação específica de um determinado profissional
chamado pessoa jurídica, e acabou se transformando na maior reforma
trabalhista que já se viu em quatro linhas, ou seja, em uma emenda que
abre a possibilidade de os trabalhadores serem demitidos e
recontratados como pessoas jurídicas burlando a legislação trabalhista”.
De
acordo com Henrique, o fato de os fiscais do trabalho, da Previdência
Social ou da Receita Federal não poderem mais autuar uma empresa sem
autorização da Justiça é outro ponto negativo na aprovação da Emenda 3.
“Isso
não tem o menor cabimento. Entendemos que é possível construir uma
alternativa para regulamentar a pessoa jurídica. Mas isso deve ser uma
exceção, não a regra”.
Em nota enviada à imprensa, o Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, informou que
vai parar 43 empresas e cerca de 35 mil trabalhadores na mobilização da
próxima terça-feira.
O documento diz que a entidade espera um
entendimento com o governo e os parlamentares sobre a emenda. "Mas não
podemos baixar a guarda. Vamos continuar mobilizando os trabalhadores e
pressionando em favor do veto à emenda”.
Ontem (3), uma reunião
entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e representantes da Força
Sindical, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil e Social
Democracia Sindical definiu a criação de um grupo de trabalho para
propor alternativas à Emenda 3.
A primeira reunião do grupo -
que vai reunir representantes das sete principais centrais sindicais do
país, e os minsitros Guido Mantega, Luiz Marinho (Previdência), Carlos
Lupi (Trabalho), além do secretário da Super-Receita, Jorge Rachid -
foi marcada para terça-feira.























