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Juventude do Distrito Federal quer acesso aos espaços públicos da cidade

Publicado em 08/05/2018 11:05

Coletivos se reuniram no Mercado Sul, em Taguatinga, durante feira de economia solidária
Juventude do Distrito Federal quer acesso aos espaços públicos da cidade

Foto: Webert da Cruz

Por Jusciane Matos
Fotos: Webert da Cruz

No último sábado (5/5), coletivos de arte, música, dança e produtores criativos se reuniram em Taguatinga (DF), na 51ª Ecofeira – edição “Fortalecendo o Corre”, para discutir o direito à cidade e praticar a economia solidária.

Promovido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em parceria com o Mercado Sul Vive, o evento contou com uma roda de conversa sobre direito à cidade que reuniu Daniela Rueda, do Mercado Sul; Carmela Zigoni, do Inesc e Glaucia Marinho, da Justiça Global. As mediadoras discutiram os diversos mecanismos de cerceamento do direito das pessoas ao acesso à saúde, educação, cultura e transporte de qualidade.

A falta de acesso a esses itens básicos gera miséria e divisão de classes, lembrou Carmela Zigoni. “Nós tivemos um período de avanços, mesmo que lento. Era um processo de redemocratização e de direitos sociais alcançados. Depois do golpe, chegamos a um governo que vem cortando benefícios por meio do teto dos gastos, que congela os investimentos sociais e isso é um projeto de poder” analisou.

A assessora do Inesc enfatizou que as mulheres negras, que estão na base da pirâmide social, são as que mais sofrem com as políticas de austeridade e a desigualdade. “Inclusive, temos um estudo no Inesc que mostra que mulheres negras são as que mais pagam impostos proporcionalmente. Quando uma mulher negra vai ao mercado, ela paga imposto em todas as coisas. Uma pessoa rica paga os mesmos impostos, mas o impacto na renda é muito menor”, exemplificou. “Precisamos que as comunidades e as periferias tenham acesso aos números, à informação, para que possamos lutar contra essa situação”, concluiu. Para Carmela, a desigualdade e concentração de renda devem motivar ainda mais os coletivos a se organizarem em torno de uma economia sustentável, com responsabilidade social, de gênero, raça e ambiental.

Acesso à cidade é um direito de todos

Daniela Rueda, da ocupação Mercado Sul Vive, destacou que o direito à cidade compreende, na verdade, um conjunto de direitos: transporte, alimentação saudável, saúde e muitos outros. “As comunidades estão se reunindo para enfrentar o sistema. As pessoas estão sofrendo, sentindo o peso de trabalhar e não ver o recurso financeiro e a alimentação chegarem à mesa” finalizou.

O direito à cidade pode ser, entre tantas coisas, uma forma de controle social e urbano.  Glaucia Marinho explica que no Rio de Janeiro, diferente do que é representado na mídia, não existe uma guerra e sim um massacre. Segundo ela, a intervenção militar no Rio foi institucionalizada em 2018, mas ela vem acontecendo aos poucos desde a chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no estado.  “A polícia não resolve o que na verdade é uma questão de desigualdade estrutural causada pela escravidão. Nunca houve uma política para isso e a forma mais fácil de se livrar desses corpos é por meio da polícia”, analisou.

Os grandes eventos e o investimento financeiro que foram realizados no Rio de Janeiro, como as Olimpíadas, contribuíram para, inclusive, a deterioração dos cofres públicos. “Com os dez anos de megaeventos, a polícia e as UPPs serviram para garantir que as obras acontecessem sem resistência da população. Esse tempo todo de investimentos para os eventos acabaram causando um colapso nos cofres públicos. Esse custo todo ajuda a negligenciar a segurança pública, reforçando, por meio da mídia, uma ideia de crise na segurança pública e culminando na intervenção militar”, analisou. “A nossa morte gera lucro”, finalizou.

Fortalecimento das falas

Além das mediadoras do debate, os participantes da feira também contribuíram com o tema. O rapper Markão Aborígine, por exemplo, destacou a necessidade de conseguir mais que uma casa para morar. “Ter direito à cidade não é só morar e dormir nela. Quando queremos nos divertir na nossa cidade, sofremos o controle social pela polícia e pelas igrejas que criminalizam a cultura e a pobreza”, afirmou.

Os interesses por trás do tráfico foram questionados por Helena Rosa, do Coletivo Semeando Ubuntu. “O Estado cria o caos e finge combater o caos. Se pensarmos nas armas utilizadas pelo tráfico, essas armas não são de fácil acesso, como eles as conseguem? Não é uma guerra contra as drogas ou o tráfico, mas sim uma guerra racial. A questão é como se fortalecer e organizar estratégias de resistência.” questionou.

Fortalecendo os corres

Durante todo o evento, as pessoas tiveram a oportunidade de contribuir com a economia local, por meio de brechós, lanches, massagens, bijuterias, produtos artesanais e participar das oficinas de Stencil com o grafiteiro Wendel Dias (Família Hip Hop) e de Charme com o grupo Pegada Black. A escritora Ju Ataíde lançou seu livro Phylochip. A música ficou por conta dos grupos: Suburbanos, Cléo Street, Projétium, Lídia Dallet, 3RG, DJ Bola, Tau Yná, Olhos de Psiquê, Som de papel e Deus Preto.

Veja como foi a oficina de Charme:

O projeto “Fortalecendo o Corre”, tema desta edição da Ecofeira, tem o objetivo de reunir coletivos de jovens para enfrentar as desigualdades nas grandes cidades brasileiras. Prevê oficinas de formação e assessorias visando à inclusão econômica dos jovens em tempos de crise, bem como formação política nos temas desigualdades e direito à cidade. O Inesc é a instituição referência do projeto em Brasília, mas ele também acontece em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, onde é executado pelas ONGs Fase, Ibase, Ação Educativa, Instituto Pólis e Oxfam Brasil.

Já a Ecofeira é um encontro das artes, artesanatos e tecnologias produzidas pelos coletivos do Mercado Sul e suas várias redes, na construção de conhecimentos e autonomia em prol de relações mais ecológicas e solidárias.

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