Matéria da Folha de S. Paulo desrespeita direitos humanos
Publicado em 12/08/2010 14:39
Depois do acontecimento se tornar conhecido pela sociedade, a adolescente passou a ser ameaçada de morte por autoridade no Estado do Pará. Por esse motivo, ela começou a fazer parte do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte – PPCAAM.
A notícia causou descontentamento de algumas das principais instituições que defendem os direitos da criança e do adolescente no país. É consenso entre as entidades que a matéria traz dados que facilitam a identificação da jovem e oferece pistas de sua localização. O que pode oportunizar o encontro da adolescente por aqueles que a ameaçam de morte.
Em nota pública, a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, lamentou pela publicação “A jovem é exposta no texto não como se não fosse vítima e sim algoz de seu próprio destino”, afirma a Secretaria. Veja a nota pública na íntegra.
Para o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), “a matéria é leviana e preconceituosa. Fica explícito no texto um olhar de uma pessoa de classe média, que julga e culpabiliza uma menina que teve todos os seus direitos humanos profundamente violados ao longo de sua vida, pelo Estado, pela sociedade e por sua família. A matéria parece um julgamento de classe, onde se julga a pobreza, se criminaliza a infância abandonada e coloca a adolescente como a única responsável pelo rumo que a sua vida tomou.
Outra entidade que manifestou repúdio à matéria foi a "A Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente – ANCED. Em nota, a Associação publicou que “a matéria trata, de forma extremamente preconceituosa e machista” o caso da menina. A ANCED também defende que os meios de comunicação devem assumir o compromisso com a promoção dos direitos humanos. “No entanto o conteúdo da matéria contribui para a construção de uma imagem social de estigmatização e criminalização da pobreza e da juventude” (diz o texto da nota). Clique aqui e veja o texto da ANCED...
A Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI se pronunciou e lamentou por a Folha de S.Paulo ter publicado “com destaque de capa uma matéria com problemas tão evidentes”. E aponta mais um problema jornalístico no texto pois ele “não garante espaço, uma única vez, à opinião de especialistas no tema da justiça juvenil (psicólogos, assistentes sociais ou gestores públicos responsáveis pelo caso, por exemplo)”. Veja a nota da ANDI....
Por fim, o Inesc também chama a atenção para a atuação da imprensa. É lamentável que os meios de comunicação e profissionais de jornalismo continuem desrespeitando os direitos humanos, expondo uma vítima de nossa sociedade desigual e violenta de forma grosseira e parcial.























