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Políticos e instituições defasados no tempo

Publicado em 27/12/2009 12:10

Talvez a maior lição da Conferência de Copenhague tenha sido demonstrar definitivamente o enorme descompasso entre os problemas que a humanidade enfrenta e as instituições com a qual contamos para resolvê-los. O senso de urgência que parece cada vez mais evidente às pessoas comuns não é capaz de sensibilizar os organismos internacionais. A ONU saiu perdendo mais uma vez. E as lideranças mundiais carecem da grandeza e da visão política que seriam necessárias nesse momento crucial da história humana.

Um dos momentos mais simbólicos do fracasso de Copenhague foi o gesto desesperado da pequena ilha de Tuvalu que conseguiu paralisar as negociações por algumas horas exigindo compromissos mais efetivos em relação a redução das emissões e limites para o aquecimento global. A tragédia anunciada de Tuvalu, fadada a desaparecer sob as águas do Pacífico, não foi capaz de comover os milhares de delegados oficiais e os chefes de estado presentes na COP 15.

O imediatismo e os interesses econômicos prevaleceram. Estados Unidos e China uniram-se em torno de um pacto medíocre que adia decisões e estica a corda do planeta quase ao ponto de ruptura.

O Brasil conseguiu se sair bem graças ao instinto político do Presidente Lula que fez um discurso contundente na reta final da conferência, rompendo com o falso consenso do G77, como tinha feito antes Tuvalu. Com isso, felizmente, temos o que cobrar no Brasil.

Mas a pegada ecológica deixada por delegados advindos do mundo inteiros por via aérea, as centenas de jatinhos particulares e aviões oficiais, inclusive o Air Force One e o do Presidente Lula, sem falar nas 1200 limusines movidas a diesel, deixaram um saldo indubitavelmente negativo para a COP 15.

 

Atila Roque 

Membro do Colegiado de Gestão do INESC.

 

Veja o vídeo "Mudanças Climáticas: Impasse na COP 15".

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Comentários (2)

Usuário Anônimo 28/12/2009 09:40
Enquanto isso, no Brasil, as projeções indicam um forte crescimento da demanda de energia elétrica para os próximos 10 anos, decorrente do "crescimento" da economia brasileira no mesmo período, associado com PAC, Copa 2014, Olimpiadas etc. Ver Nota Técnica “Projeção da demanda de energia elétrica para os próximos 10 anos”, da Empresa de Pesquisa Energética: http://www.epe.gov.br/mercado/Paginas/Estudos_27.aspx?CategoriaID
Usuário Anônimo 09/01/2010 19:12
Incluir na contabilidade os mais de cem mil ativistas que lá estiveram.
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