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Adolescentes provam que tem o que dizer em Conferência

Publicado em 09/12/2009 13:48

Os cerca de 500 jovens que participam da 8º Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente trazem para o evento mais do que alegria e descontração, características típicas da idade. Para muitos, a troca de experiências e de conhecimento acerca de projetos desenvolvidos em prol dos direitos humanos, em seus estados de origem, tem contribuído para que essa se torne, certamente, uma das maiores experiências de suas vidas.
Adolescentes provam que tem o que dizer em Conferência

Foto: Leonardo Prado

Politizados, engajados e conscientes, eles mostram que o papel de muitos meninos e meninas do Brasil é bem maior do que o de adolescentes comuns. Suas atitudes são de quem considera de extrema importância atuar para garantir um futuro digno à milhares de crianças do país.

Um exemplo é Ricardo Frasão de Lima, cabo bombeiro mirim, como ele se orgulha de dizer. Foi por meio do trabalho que realiza com crianças vulneráveis às drogas, em Guajará (RO), que o adolescente chegou à Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Lá foi escolhido para a etapa estadual, que, consequentemente, o trouxe para a Conferência Nacional. “Estamos tendo uma preparação para a vida, num momento em que ainda estamos em fase de formação, de nos prepararmos para saber o que queremos para nosso futuro”, afirma o jovem.

Além de fazer parte do Projeto Bombeiro Mirim, Ricardo participa do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, que atua em várias cidades do estado. Há uma semana, o tema abordado na oficina anualmente realizada pelo programa foi a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes. Impressionado com essa discussão, Ricardo conta que, ao ver esse tema ser debatido nesta 8º Conferência, a primeira que participa, sentiu-se mais feliz por poder agregar mais informações sobre o assunto. “Em nossa preparação, a gente aprende a identificar jovens que possam estar sofrendo abusos, ou mesmo sendo explorados, e como tentar encaminhá-los a uma ajuda especializada. Com o que aprendi aqui, vou poder ajudar mais ainda”. E completou: “O destino das crianças do nosso estado está nas mãos dos 14 adolescentes que aqui representam Rondônia”.

Na pré-conferência, que prepara os participantes para a Conferência Nacional, Ricardo conheceu outros jovens, vindos de diferentes partes do país, e que, assim como ele, se preocupam com o destino de outras crianças. É o caso de Wallace Lopes, de 16 anos, do Piauí. “Na minha cidade o adolescente não tem vez. Eu ia para os debates na Câmara para tentar discutir as questões da minha comunidade, mas nunca podia falar. Quando ouvi os anúncios na rua chamando a população para participar da terceira Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente vi uma oportunidade e fui”, relembra Wallace. Para o adolescente, mobilizar as pessoas de sua cidade foi uma grande conquista. “Fiquei sendo reconhecido”, comemora.

Com o sonho de ajudar sua comunidade realizado, o jovem, que hoje cursa a 8º série do ensino médio, se prepara para alcançar outras conquistas. “Quero vir para Brasília para estudar, me tornar arquiteto e ajudar as pessoas”. 

 

Foto: Leonardo Prado

Para ficar por dentro das discussões basta, acompanhar o site Criança e Adolescente: Prioridade no Parlamento.

 

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