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Sociedade civil americana se reúne em Trinidad & Tobago

Publicado em 15/04/2009 10:39

Por Edélcio Vigna, assessor do Inesc
Sociedade civil americana se reúne em Trinidad & Tobago

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Esta republica do Caribe, que elege presidente e é governada pelo primeiro ministro, tem 36 deputados comuns. O Senado é composto de 31 lordes indicados pelo presidente, com um mandato de cinco anos.

A população é formada de afrodescendentes (43%) e asiáticos (40%). O país está entre os de maior IDH e uma taxa de analfabetismo de 2,1%. Sua economia está baseada na indústria e nos serviços. O Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 10,3 bilhões compõe-se de 49% indústria, 48,4% serviços e 2,6 Agricultura.

A pauta de exportação se baseia no petróleo, produtos químicos, fertilizantes, cacau, café e flores. Importam alimentos, maquinaria e manufaturados. Tudo, praticamente do EUA. O idioma oficial é o inglês, mas as pessoas que falam bem o idioma juram que é uma mescla de dialetos com inglês onde se omitem termos e associam palavras com significados diferenciados.

A república de T&T possui um histórico de boas relações diplomáticas com o Brasil. O governo brasileiro tem interesse em manter essas relações, pois T&T possui uma grande influência no CARICON (área de livre comercio do Caribe), que por sua vez tem um peso considerável no jogo político dentro das Organizações dos Estados Americanos (OEA). Quinze dos trinta e quatro países da OEA são do CARICON.

Neste cenário, com uma alta temperatura climática, deverão se reunir os principais presidentes americanos. Sabe-se que Evo Morales não virá, pois está envolvido com a greve de fome dos trabalhadores bolivianos.  O presidente do Equador, Rafael Correia, não está confirmado. Lula também não. Obama, que é um ídolo por aqui, dificilmente vai aparecer, mas enviou uma delegação composta de 500 pessoas.

A Declaração de Trindad, que os presidentes vão assinar, foca a questão da segurança continental e a da sustentabilidade. Na reunião com algumas autoridades no Itamaraty/Ministério das Relações Exteriores, colocamos alguns pontos sobre a agricultura familiar que gostaríamos de ver incluído na Declaração. Em conversa com alguns delegados panamenhos ficou claro que a prioridade será a pauta da segurança.

O governo de T&T está colocando diversos obstáculos para a realização da Cumbre de los Pueblos – evento da sociedade civil paralelo à Cumbre das Américas. O local teve que ser negociado e por diversas vezes foi mudado. A Marcha da sociedade civil foi proibida e se houver algo será um Ato Político dentro do campus da universidade.

A infra-estrutura de Port-of-Spain é precária e os hotéis não têm mais acomodações. Alguns países optaram por acomodar suas delegações em grandes navios de cruzeiro que aportaram no cais. Para isso o governo teve que promover melhorias no porto.

As delegações das sociedades civis dos vários países tiveram que ser distribuídas nos hotéis e pousadas nas imediações do centro da cidade. Há um serviço de vans razoável que deve transportar as pessoas dos hotéis até a universidade. A partir do dia 15, o centro de Pot-of-Spain será fechado para realização da Cumbre oficial. Há boatos da armação de um grande aparato policial para evitar qualquer tipo de manifestação perto do local onde será realizada a reunião oficial.

Há todo um trabalho da coordenação na distribuição das salas da Universidade. A previsão de participação não é das mais otimistas. Temos a lista dos temas das oficinas e seminários que os grupos de trabalho irão realizar, mas as mesas e os debatedores ainda estão por formar. O GT de Agricultura da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), coordenado pelo Inesc, assumiu a tarefa de organizar o debate sobre a agricultura no âmbito da crise global.

Edélcio Vigna, assessor do INESC

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