XII Unctad e o papel do multilateralismo
Publicado em 08/04/2008 18:53
A Unctad ainda é considerada, pelos representantes da sociedade civil, como um espaço onde há abertura para a construção de um pensamento de países em desenvolvimento que proponham alternativas para o poder hegemônico das grandes potências industriais. Por isso, precisa ser preservada para que faça um contraponto às imposições regulativas que vêm sendo impostas pela Organização Mundial do Comércio - OMC.
"A questão que precisamos debater é como anda o multilateralismo", defendeu Iara Pietricovsky, argumentando que o enfraquecimento das Nações Unidas atinge a todos os órgãos a ela subordinados. Iara reconheceu haver uma tendência de redução do valor e do papel da Unctad, mas reafirmou a necessidade de que a sociedade civil promova uma resistência a essa tentativa de desmonte por ser este ainda um dos únicos espaços que tem valorizado e permitido um diálogo aberto e franco com organizações da sociedade civil de todo o planeta.
"A OMC define, atualmente, muito mais posições do que as Nações Unidas", argumentou ela. Outro fator que leva inquietações ao seio da sociedade civil é o fato do atual presidente da Unctad, o malaio Supachai Panitchpakdi, que anteriormente esteve à frente da OMC ser um defensor de idéia neoliberais, contrárias às defendidas pela sociedade civil.
O ministro Carlos Márcio Consendey, diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, fez um resgate sobre o papel da Unctad ao longo das últimas quatro décadas e ressaltou o esforço que vem sendo realizado, principalmente pelo denominado Grupo 77, do qual o Brasil é um dos porta-vozes, em defesa da manutenção da Unctad como um fórum de debate sobre comércio e desenvolvimento.
O ministro Consendey relatou que no momento está sendo fechado o documento-base da XII Conferência com as posições que conseguiram ser consensuadas entre os diversos membros. Ele explicou que, até o momento, foi possível preservar o seguinte tripé para a Unctad: capacidade de reflexão; capacidade de gerar consensos e capacidade de prover assistência técnica para os países em desenvolvimento.
A audiência foi presidida pelo deputado Takayama, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores na sessãoque abordou a Posição do governo brasileiro para a Conferência da Unctad que será realizada entre os dias 20 e 25 de abril, em Accra, capital de Gana.
Veja abaixo os sites da XII Unctad e a programação da participação e acompanhamento do evento pela da sociedade civil























