Skip to content. | Skip to navigation

Personal tools
Sections
You are here: Home equipe ivonem Execução Orçamentaria Baixa execução orçamentária marca os primeiros meses do governo Lula
You are here: Home equipe ivonem Execução Orçamentaria Baixa execução orçamentária marca os primeiros meses do governo Lula

Baixa execução orçamentária marca os primeiros meses do governo Lula

 

baixa execução orçamentária

marca os primeiros meses do governo lula

 

Direitos humanos e orçamento público devem ser analisados juntos. Afinal, no entendimento mais amplo, a realização plena dos direitos humanos deve ser o objetivo primordial buscado pelo Estado. O Inesc faz o monitoramento do orçamento da União com vistas à garantia dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais (Dhesca).

Encerrado praticamente o primeiro semestre, o governo federal continua executando o orçamento a conta gotas. O governo Lula havia executado 35,86% (R$ 315,65 bilhões) do orçamento da União para 2007 até o dia 14 de junho.

Nesse período, o investimento (grupo de natureza da despesa 4) chegou a 3,32% (R$ 973,95 milhões), sendo que esse valor era, em maio, de 1,32%. De qualquer forma, é muito pouco para esse período do ano.

Se os investimentos do Estado não decolaram, a explicação se deve em boa medida ao exagero do superávit primário do setor público consolidado em 2007, que ficou em 6,0% do PIB (R$ 60,7 bilhões) até maio. Diz o governo que esse superávit é realizado a pretexto de diminuir o endividamento brasileiro.

Contudo, o estoque da dívida pública do setor público brasileiro só aumenta. A despeito do argumento de que em proporções do PIB o endividamento estaria controlado, a verdade é que, em maio, o valor nominal da dívida pública do setor público consolidado já estava em R$ 1,09 trilhão (45,07% do PIB). A conseqüência de um endividamento alto já é praticamente senso comum: o pagamento de juros extorsivos. Segundo o Banco Central, em 2007, o setor público do país pagou de juros R$ 67,8 bilhões até maio. Por isso, é o controle sobre a gestão da dívida é que deveria ser rígido, e não o superávit primário.

Uma análise mais detalhada mostra que setores primordiais para o desenvolvimento e o bem-estar social do país são os principais prejudicados com o atraso na execução orçamentária. A maior parte dos programas, 63,58% deles, ainda está com execução entre 0% e 15% em relação aos valores autorizados na Lei.

Havia a esperança de que, com a criação da Secretaria Especial dos Direitos de Humanos (SEDH), a política de direitos humanos seria uma prioridade no governo Lula. Afinal, assumiu o status de ministério quando foi reformulada em 2003 e passou a fazer parte da estrutura da Presidência da República. No entanto, não se desejava com isso que a temática de direitos humanos fosse posta de lado quando da concretização dos programas do Plano Plurianual. Ao contrário, esperava-se que essa seria uma política transversal presente em todos os órgãos e programas do governo.

Como se não bastasse ver essa transversalidade se tornar apenas “orientação estratégica” pouca considerada na construção dos programas, até mesmo a execução orçamentária que cabe à SEDH é desanimadora na Lei orçamentária. Até o dia 14 de junho, o governo federal havia executado (liquidado) somente 7,66% (R$ 7,48 milhões) do valor autorizado para essa unidade orçamentária (R$ 97,6 milhões). Sob a responsabilidade dessa secretaria, o programa “Erradicação do Trabalho Escravo” acusava uma liquidação de 32,03% (R$ 3,6 milhões) e o programa “Erradicação do Trabalho Infantil” uma execução de 35,37% (R$ 133,3 milhões). Já o programa “Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” permanece entre os dez programas com maior percentual de execução, com 49,36% (R$ 30,7 milhões).

Um dos principais programas da SEDH, “Direitos Humanos, Direitos de Todos”, não pode ser acusado de apresentar uma execução pequena, pois alcançou 43,07% liquidados (o equivalente a R$ 329,6 milhões). O mesmo não se pode dizer a respeito de outros dois programas que merecem atenção especial da SEDH. Já estamos no meio do ano e o programa “Atendimento Sócio-Educativo do Adolescente em Conflito com a Lei” está com 1,33% (R$ 327,4 mil). Já o programa “Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente” está com 13,06% (R$ 2,58 milhões) de execução. São valores ainda muito baixos para esse período do ano.

Outras duas secretarias estratégicas para a temática dos direitos humanos, também ligadas à estrutura da Presidência da República, apresentaram execuções igualmente decepcionantes verificadas até a mesma data. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) registrava uma execução de apenas 6,32% (R$ 3,06 milhões) do limite autorizado na Lei (R$ 48,4 milhões). Já a execução da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) atingiu raquíticos 10,34% (R$ 3,5 milhões) da autorização orçamentária reservada para o ano inteiro (R$ 34,05 milhões).

O descaso do governo em relação a essas duas secretarias reflete na execução dos programas: apenas 1,8% (R$ 426,3 mil) foi executado do programa “Combate à Violência Contra as Mulheres”, cuja responsabilidade é praticamente toda da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Em situação não muito melhor, encontra-se o programa “Gestão da Política de Promoção da Igualdade Racial”, que apresentou uma execução de somente 14,46% (R$ 2,9 milhões), apesar de abarcar importantes ações orçamentárias coordenadas pela SEPPIR.

Entre outros, os direitos econômicos da população também devem ser contemplados no orçamento público. Mas programas fundamentais como o “Projovem” e o “Primeiro emprego” tiveram execuções fracas e foram liquidados apenas 12,81% (R$ 26,7 milhões) e 16,24% (R$ 21,2 milhões) respectivamente. Não decolaram ainda outras iniciativas do governo federal. É o caso do programa “Qualificação Social e Profissional”, que poderia melhorar as chances de muitos trabalhadores na disputa por uma ocupação no mercado de trabalho. Contudo, sua execução foi praticamente nenhuma: apenas 1,06% (R$ 1,21 milhões). Um valor muito baixo dado que a Lei orçamentária autoriza R$ 114,69 milhões para o ano de 2007.

Também voltado para a renda do trabalhador, o programa “Economia Solidária em Desenvolvimento” sofre do mesmo mal. No período, esse programa teve uma execução irrisória de 0,49% (R$ 302,13 mil), colocando-o entre as menores execuções do orçamento de 2007.

Ainda, contribuem decisivamente para o direito econômico da população brasileira os programas “Previdência Social Básica” e “Transferência de Renda com Condicionalidades” (mais conhecido pelo seu nome fantasia, “Bolsa Família”). O primeiro alcançou 37,51% (R$ 66,68 bilhões) de execução e o segundo 39,38% (R$ 3,50 bilhões).

A desconcentração fundiária é um debate central na luta pela efetivação dos direitos econômicos do povo brasileiro. Nesse sentido, a carta do 5° Congresso do MST, coloca bem a questão quando defende como compromisso “Lutar por um limite máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação de todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas”. Nesse sentido, um dos principais programas direcionados para a questão da reforma agrária no Brasil, o “Desenvolvimento Sustentável na Reforma Agrária”, acusou uma execução de somente 3,23% (R$ 16,26 milhões) do total previsto para o ano (R$ 1,94 bilhões). Dentro desse programa, encontra-se, entre outras, a ação que destina recursos para a “obtenção de imóveis rurais para a reforma agrária”, com 37,73% (R$ 353,89 milhões) de liquidação em relação ao total dos recursos previstos (R$ 937,88 milhões).

O artigo 231, parágrafo 2º da Constituição afirma que "as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes". Contudo, os números do orçamento público parecem não refletir essa preocupação do legislador constituinte. A execução do programa “Proteção de Terras Indígenas, Gestão Territorial e Etnodesenvolvimento” ficou em torno de 6,68% (R$ 4,02 milhões) da previsão.

Saúde, educação, saneamento básico, habitação, entre outras categorias, fazem parte de um tipo de classificação orçamentária denominada “função”. Essa agregação fornece uma noção dos recursos alocados em diferentes áreas, ajudando a avaliar se os direitos sociais recebem a atenção do Estado em comparação com outras despesas.

Assim, mais uma vez, Habitação e Saneamento apresentaram os menores percentuais de execução entre as funções: 0% e 1,19% (R$ 3,72 milhões), respectivamente. O que não difere da baixa execução de programas ligados a essa temática: “Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais” (0,0%), “Habitação de Interesse Social” (0,0%), “Mobilidade Urbana” (0,04%), “Proágua Infra-estrutura” (0,29%), “Urbanização”, “Regularização e Integração de Assentamentos Precários” (0,82%), “Resíduos Sólidos Urbanos” (0,93%), “Saneamento Ambiental Urbano” (1,97%), “Saneamento Rural” (2,5%). O Ministério das Cidades responsável pela gestão de programas ligados à temática dessas funções também conta com valor baixo na execução, apenas 8,82%. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos nessas áreas apenas no segundo semestre, mas essa situação é a que se vê praticamente em todos os anos.

A execução das funções Educação e Saúde estavam com respectivamente 28,80% (R$ 6,64 bilhões) e 35,15% (R$ 16,28 bilhões) – é sempre válido lembrar que existem obrigações legais determinado que o Estado execute gastos mínimos em ambas as políticas de saúde e educação. Por isso, em relação ao aspecto quantitativo, essas duas áreas em geral apresentam execuções altas.

Por sua vez, a função “Desporto e Lazer” apresentava uma execução de 26, 11% (R$ 372,18 milhões) do seu orçamento autorizado (R$ 1,42 bilhão) para o exercício de 2007.

A análise da execução por “órgão” é outra forma de se monitorar os gastos orçamentários. Nessa modalidade, os Ministérios (órgãos orçamentários) da Educação, da Saúde e o do Esporte tinham executados respectivamente 30,76% (R$ 8,50 bilhões), 35,66% (R$ 17,73 bilhões) e 26,11% (R$ 372,35 milhões). O Ministério do Trabalho e Emprego acusava uma execução de 29,96% (R$ 10,58 bilhões).

No que diz respeito à execução em programas referentes à educação encontramos a seguinte situação: enquanto o programa “Universidade do século XXI” está com 34,37% (4,31 bilhões) e o programa “Brasil escolarizado” está com 22,71% (R$ 603,96 milhões) de execução, o programa “Educação na primeira infância” não foi executado ainda (0,00% de execução). Já os programas “Segundo tempo”, “Brasil alfabetizado” e “Livro aberto” estavam, respectivamente, com: 0,98% (R$1,33 milhões); 1,31% (R$ 4,75 milhões); e 8,38% (R$ 2,56 milhões). O ritmo de execução do programa “Democratizando o acesso a educação profissional, tecnológica e universitária”, com seus 26,29% (R$ 387,43 milhões) liquidados, também causa preocupação sobre a abrangência da democratização que será alcançada.

O programa “Desenvolvimento do Ensino Fundamental” apresentava 8,32% (R$ 127 94 milhões). Ao apresentar apenas 0,02% (R$ 3,62 mil) de execução, o programa “Inserção social pela produção de material esportivo” está em situação mais preocupante ainda.

Na área de Saúde, a execução de alguns programas continua com valores considerados baixos para o período do ano. O programa “Atenção à saúde da população em situações de violências e outras causas externas” estava com 6,42% (R$ 19,79 milhões) de execução e o programa “Atenção à saúde de populações estratégicas e em situações especiais de agravos” está com 9,99% (R$ 10,11 milhões) de execução.

Também foram verificadas baixas execuções de iniciativas preventivas na área de saúde, como o programa “Prevenção e controle das doenças imunopreveníveis”, com 15,55% (R$ 129,27 milhões), o programa “Vigilância, prevenção e controle da malária e da dengue”, com 12,01% (R$ 7,71 milhões), e o programa “Vigilância, prevenção e atenção em HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis”, com 16% (R$ 217,97 milhões). O programa “Segurança transfusional e qualidade do sangue” continua com execução de apenas 5,07% (R$ 18,77 milhões).

Entre os programas de maior percentual de execução na área da “saúde”, encontram-se: o “Assistência suplementar à saúde”, com 24,06% (R$ 36,77 milhões); o “Serviço de saúde das Forças Armadas”, com 29,41% (R$ 262,41 milhões); o “Segurança e saúde no trabalho”, com 35,81% (R$ 15,70 milhões) , o “Atenção básica em saúde”, com 37,65% (R$ 2,95 bilhões); e o “Atenção hospitalar e ambulatorial no Sistema Único de Saúde”, com 44,48% (R$ 8,98 bilhões).

Apesar da abertura aos investimentos anunciados com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), ainda assim, a função Transporte apresentava apenas 8,41% (R$ 891,28 milhões) de execução.

Cultura é um direito humano e deveria ser tratada como uma política pública universal de promoção do desenvolvimento. Mas, definitivamente, os direitos culturais não estão no centro de preocupação do sistema político. É o que se constata ao olhar os números da execução do orçamento da União. A função Cultura obteve apenas 14,53% (R$ 121,93 milhões) de execução. Essa área, em geral, possui as menores dotações orçamentárias no orçamento da União. O programa “Brasil, patrimônio cultural” teve a execução de apenas 3,32% (R$ 1,92 milhão). O nível de execução do programa “Monumenta” foi de apenas 4,62% (R$ 3,51 milhões), a despeito do valor autorizado para o ano ser de R$ 76 milhões. Já o programa “Cultura Afro-Brasileira” teve uma execução de somente 8,44% (R$ 1,8 milhão) sendo que o valor autorizado é de R$ 21,42 milhões para o exercício financeiro de 2007, como prevê a Lei orçamentária.

O programa “Identidade étnica e patrimônio cultural dos povos indígenas” mostrou um desempenho elogiável, já que o nível de execução chegou a 42,41% (R$ 146,95 milhões). Já o programa “Cinema, som e vídeo” não demonstrou o mesmo sucesso e sua execução alcançou somente 21,02% (R$ 14,65 milhões) do valor autorizado.

As sérias ameaças ao futuro do planeta advindas do aquecimento global têm levado a sociedade, cada vez mais, a refletir para a importância da preservação do patrimônio ambiental do planeta, o que abre a oportunidade de se discutir políticas públicas dentro de um contexto de direitos ambientais dos povos.

No entanto, como um discurso de responsabilidade ambiental pode ser considerado verdadeiro se o governo não expressa esse compromisso no seu orçamento? Com apenas 14,39% (R$ 334,04 milhões) executados, a função Gestão Ambiental está longe do valor autorizado para o ano inteiro (R$ 2,32 bilhões). O gasto na política ambiental não melhora quando é analisado o desempenho do Ministério do Meio Ambiente, pois apenas 16,22% (R$ 444,85 milhões) foram executados.

Diversos programas relacionados à temática ambiental não possuem execução ultrapassando 10% do valor autorizado. Entre esses, podem ser citados os seguintes programas: “Combate à Desertificação”, com 0,35% (R$ 39,62 mil); “Zoneamento Ecológico-econômico”, com 1,08% (R$ 131,92 mil); “Amazônia Sustentável”, com 2,44% (R$ 501,01 mil); “Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis”, com 4,63% (R$ 488,42 mil); “Qualidade Ambiental”, com 5,73% (R$ 1,45 milhões); “Desenvolvimento da Agricultura Orgânica - Pró-Orgânico”, com 5,92% (R$ 151,03 mil); e “Desenvolvimento Integrado e Sustentável do semi-árido – Conviver”, com 7,52% (R$ 3,63 milhões).

 

Lucídio Bicalho

Assistente de Política Fiscal e Orçamentária do Inesc

Luiza Helena

Maria Paz Josetti

Estagiárias


 

Clique abaixo para fazer o download das tabelas e gráficos. Dados atualizados até 14 de junho de 2007:

Tabelas de execução orçamentária (função, órgãos, GND e programas)

Tabelas da dívida pública

Tabelas do resultado fiscal (nominal e primário)

 

Document Actions
Institutional Support
  • apoio20.png
  • apoio19.png
  • apoio18.png
  • apoio17.png
  • apoio15.png
  • apoio14.png
  • apoio13.png
  • apoio12.png
  • apoio11.png
  • apoio10.png
  • apoio9.png
  • apoio8.png
  • apoio7.png
  • apoio6.png
  • apoio5.png
  • apoio4.png
  • apoio3.png
  • apoio2.png
  • apoio1.png