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Num mundo desigual, as mudanças climáticas irão aumentar ainda mais as desigualdades

Publicado em 29/10/2008 16:41

Essa declaração, feita pelo co-presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), Martin Parry, atualmente em visita ao Brasil, revela a seriedade e a falta de debate na sociedade brasileira sobre as conseqüências da mudança do clima global. O modelo de desenvolvimento capitalista baseado no consumo desenfreado e na queima de combustíveis fósseis, que vem causando o aumento das temperaturas no planeta, precisa ser repensado. Pesquisadores alertam que os países precisam reduzir em 80% as emissões de carbono até 2015. O Brasil é o principal emissor de carbono per capita entre os países em desenvolvimento, sendo que 55% das nossas emissões ocorrem em razão dos desmatamentos na Amazônia e no Cerrado. Algo precisa ser feito. A sociedade brasileira e os governos precisam fazer um pacto pelo fim dos desmatamentos no país.
Num mundo desigual, as mudanças climáticas irão aumentar ainda mais as desigualdades

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Notícia

Países precisam reduzir em 80% as emissões de carbono
Fonte: IPEA (29/10/2008 - 10:32)


Os coordenadores do GT-2 do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apresentaram hoje um relatório sobre mudanças climáticas no Ipea e alertaram que o corte nas reduções de carbono são urgentes. Pela manhã, houve uma coletiva para a imprensa. Às 14h30,  os cientistas fazem uma apresentação no auditório do Ipea; a participação é gratuita.

Segundo o coordenador do GT-2, Martin Parry, cientista inglês membro do IPCC, a redução global precisa ser de 80% das emissões de carbono até 2015. Para o pesquisador brasileiro Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Brasil pode contribuir com essa meta ao acabar com os desmatamentos. "Hoje o desmatamento é responsável por 55% das nossas emissões de gases de efeito estufa", disse Nobre.

Ele alertou que, se nada for feito, o aquecimento global  vai transformar boa parte da Amazônia em savanas, que as áreas secas do país ficarão ainda mais secas, com desertificação no Nordeste, e as chuvas serão mais concentradas e muito mais fortes. Além disso, as cidades litorâneas vão sofrer com a subida do nível do mar, que, no cenário mais pessimista, pode chegar a um metro.

 "Na agricultura, sentiremos os impactos mais fortes. Em 50 anos, por exemplo, estaremos importando café da Argentina, e Santa Catarina não vai mais produzir maçã. O cerrado pode ficar concentrado apenas no sul do Mato Grosso do Sul."

 

Veja também a apresentação de Carlos A. Nobre do INPE realizada no seminário promovido pelo IPEA e pelo CDES sobre o IV relatório do IPCC – Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade às mudanças climáticas (28/10/08)

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