Fórum Nacional das Mulheres Indígenas
Publicado em 15/08/2008 10:28
Ana Inês - Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas
Passado, Presente e Futuro: Mulheres Fortes e Unidas
Preparatória para o Fórum Nacional das Mulheres Indígenas - 2009
À primeira impressão, um tímido encontro. Aos poucos foram
chegando e já não havia lugar naquela mesa reservada a dez ou doze
pessoas na sala de reunião do UNIFEM Fundo de Desenvolvimento
das Nações Unidas para a Mulher. Com papel, caneta, notebooks e os
adereços que simbolizam a força de cada etnia, as representantes das
diversas organizações indígenas no Brasil chegaram à sede da agência
da ONU, em Brasília, para a preparatória do Fórum Nacional de
Mulheres Indígenas programado para meados de 2009.
Organizadas pela Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas, nesse
primeiro momento para um debate sobre a realização do Fórum
Nacional, as vozes femininas começaram a ecoar. Elas discutiram sobre
a inserção da mulher indígena no mercado de trabalho, sobre saúde e
educação; sobre a violência e o preconceito sofrido ainda hoje;
trouxeram suas próprias experiências e seus exemplos de conquista (a
exemplo do movimento pela consciência negra) e compartilharam
informações sobre a luta no dia-a-dia das "parentes", dentro das
comunidades e na batalha urbana.
Como resultado dessa Preparatória, do Fórum Internacional da Mulher
Indígena, abril de 2008/Lima-Peru, da Mesa de Trabalho de Itaipu-
RJ/maio de 2008, formou-se a Comissão Executiva para a realização
do Fórum, em 05 de agosto de 2008 com representação da Coiab,
Inbrapi, Grumin, Conami, Apoinme, Instituto Kaigang, Warã e se
consolidou o intercâmbio entre as organizações de mulheres indígenas
com a criação do Blog temático e a abertura de um grupo de discussões
no sistema yahoo:
http://br.groups.yahoo.com/group/forumnacionaldamulherindigena/
Outro aspecto a ser estudado foram os aportes financeiros para a infraestrutura
de qualquer ação em prol das mulheres, sejam elas indígenas
ou não. "A questão de gênero não está sendo considerada na prática",
observa Eliane Potiguara, organizadora da Preparatória pelo GRUMIN,
ao alertar para a necessidade de articulação entre as organizações
indígenas no momento de captar recursos junto aos órgãos
competentes. Uma das questões mais importantes para o sucesso do
Fórum em 2009, segundo Eliane, é o envolvimento integrado das
organizações: "como unir esforços, iniciativas, pessoas e como captar
recursos em cada região?". Por enquanto, algumas foram apoiadas pelo
Unifem, outras vieram por si próprias (sua organização ou seus
recursos) e algumas chegaram a Brasília depois de muita estrada, sem
nenhum suporte financeiro, como foi o caso da representante do povo
Kaingáng, Ângela Kaingáng, que enfrentou mais de 30 horas numa
viagem de ônibus, para participar do encontro. "Se não fosse a
dificuldade financeira estaríamos muito mais organizadas", afirma
Ângela ao fazer um alerta: "Nossa responsabilidade está crescendo a
cada dia!".
Segundo Maria Inês Barbosa, do Programa Gênero, Raça, Etnia e
Pobreza da UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas
para a Mulher), que abriu o encontro "Cunhã-Uasu Muacasáua -
MULHERES FORTES E UNIDAS", é preciso ter consciência de que o
Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, fato que se torna
ainda mais evidente se for analisado sob a ótica racial e étnica.
Especialmente sobre a violência contra a mulher, Maria Inês lembra
que na trajetória da herança cultural feminina existem "marcas que
devem servir de força e reflexão".
Único homem a participar entre as mulheres, o escritor Cristino do
NEARI (Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas) trouxe a boa nova
das negociações com a UERJ para a implementação da 1ª Universidade
Indígena do país, entre outras ações. Ele reafirma a necessidade de
registro e formação de conhecimento para a valorização da luta
feminina indígena, o que é confirmado por Silvia Wajãpi, ao evidenciar
especialmente a problemática da inserção das crianças indígenas nas
escolas urbanas e sua luta por oportunidades equiparadas. Maria
Miquelina Tukano e Mirian Terena lembram que a luta não traz
benefícios apenas para uma comunidade ou uma representação dos
povos indígenas. Aparecida Bezerra e Ceiça Pitaguary trouxeram de
suas comunidades exemplos do engajamento político e social de suas
comunidades.
A representante do povo Funiô, Maria Aureni, fez um desabafo em seu
depoimento: "Minha mãe me criou com a intenção de lutar, com a voz
que ela não teve, mas nossa trajetória tem rendido muito choro e
muitos calos", conta Aureni. Trazendo a mesma herança de luta,
Fernanda Jófei Kaingáng, do Instituto Indígena Brasileiro para a
Propriedade Intelectual reverencia, na figura de Ângela Kaigang, o
conhecimento de seu povo e, também lamenta o descaso diante da
riqueza cultual dos povos indígenas: "eu cresci vendo esse processo e
infelizmente não estamos conseguindo enfrentar a situação. Estou ao
lado de uma das maiores especialistas em nutrição Kaingáng ,
enquanto muitas crianças estão morrendo de fome", lamenta Fernanda
ao relembrar a necessidade de união das mulheres em prol das futuras
gerações. Por isso, no próximo mês de setembro, essas "Mulheres
Fortes e Unidas" se encontram, novamente em Brasília, para formalizar
e fazer um levantamento do que já tem sido trabalhado para o fórum de
2009. Enquanto isso, a discussão continua online e por telefone.
Acompanhe e participe!
Foto e Texto: Ana Inês - Repórter Free
reporterfree@gmail.com
anaines.free@gmail.com
61-8476 3254
Membros da Comissão Executiva
Coiab, Inbrapi, Grumin, Conami, Apoinme, Warã e
Instituto kaigang
Enquanto não temos o telefone do secretariado, estamos disponibilizando,
gentilmente, esse telefone temporário para maiores contatos: (021) 2577-5816 e
(021)9335-5551.























