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Em assembléia, FBO adota gestão colegiada

Publicado em 29/05/2008 17:19

A assembléia geral do Fórum Brasil do Orçamento (FBO) elegeu, na sexta-feira 30 de maio, uma nova coordenação a ser integrada por oito organizações, uma a mais do que a anterior. Também deliberou pela criação de uma secretaria executiva colegiada integrada pelo Inesc, pelo Centro de Cultura Luiz Freire, de Recife, e pelo Conselho Regional de Economia (Corecon) do Rio de Janeiro. Deixaram a coordenação da articulação a Unafisco e o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR). A nova coordenação do FBO terá um mandato de dois anos. Representantes do Centro de Cultura Luiz Freire, Ana Nery; e do Corecon-RJ, Luiz Mário, em entrevista ao Inesc, falaram sobre os desafios da nova coordenação. Entre eles, o de tornar o FBO uma articulação nacional, com representação no maior número possível de estados. Confira as entrevistas (áudio).
Em assembléia, FBO adota gestão colegiada

Lia Silva

Entrevista com Ana Nery, do Centro de Cultura Luiz Freire

Entrevista com Luiz Mário, do Corecon-RJ

 

Jair Barbosa Jr.

Luciana Costa

 

A assembléia geral do Fórum Brasil do Orçamento (FBO) elegeu uma nova coordenação política. Compõem a coordenação as seguintes organizações: Inesc, Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Instituto Cultiva, a  Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), o Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), o Conselho Regional de Economia (Corecon), a Central de Movimentos Populares (CMP) e a organização Capital Social de São Paulo. Dentre as organizações da coordenação, três foram eleitas para compor a secretaria executiva colegiada, que ficará responsável pela operacionalidade da articulação. Compõem a secretaria executiva o Inesc, o Centro de Cultura Luiz Freire e o Corecon/RJ.

 

No Seminário Nacional e na Assembléia do Fórum Brasil de Orçamento, o FBO lançou um documento com um balanço político sobre a atuação do Fórum nos últimos dois anos (confira o documento). Na abertura do encontro, Evilásio Salvador, assessor de política fiscal e orçamentária do Inesc, destacou que o orçamento público tem sido um instrumento "reprodutor de desigualdades sociais". O orçamento público da União, que deveria ser utilizado como um dos principais instrumentos para a promoção de direitos e distribuição de renda, vem reforçando a regressividade do sistema tributário brasileiro e sendo financiado, principalmente, pelos mais pobres em benefício dos mais abastados.

A proposta de reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, segundo ele, não corrige esta e outras distorções. Evilásio sugeriu que a sociedade civil proponha emendas para reorientar projeto e buscar tornar o sistema tributário brasileiro menos regressivo e focar o atendimento nos segmentos mais excluídos da sociedade brasileira, como mulheres e negros/as.

Baseado nas execuções orçamentárias incluídas no Plano Plurianual 2004/2007, a avaliação realizada por Evilásio Salvador demonstra que os gastos públicos, aí consideradas as funções de assistência social, educação, saúde, esporte, lazer, entre outras, apresentaram um crescimento da ordem de 17% ao longo do período enquanto que os gastos gerais do orçamento da União cresceram 25% no mesmo quadriênio.

As políticas sociais têm sido, minimamente, contempladas graças às vinculações constitucionais contra as quais a proposta de reforma tributária se coloca. A título de exemplo, a função Saúde representou 1,57% do PIB em 2007, enquanto em 2004 esses mesmos gastos representavam 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Se esses gastos têm sido reduzidos com as vinculações constitucionais, o medo é que sem elas essa queda seja ainda maior.

A retórica da mídia brasileira de que os gastos sociais do governo federal com políticas sociais são elevados é contestado pelos números. Enquanto o Brasil gasta com a função Saúde menos de 2% do PIB, a Argentina, por exemplo, apresenta gastos da ordem de 5,1%, enquanto em países desenvolvidos como a Inglaterra e a França, esse montante chega a 7,1% dos respectivos PIBs.

Outro desafio que o orçamento público precisa enfrentar diz respeito à necessidade de haver um corte que privilegie o atendimento a mulheres e negros/as. Os números traduzem essa necessidade: o sistema previdenciário beneficia hoje 65% das mulheres e 80% dos homens. Além disso, 80% dos 10% mais pobres são negros/as.

Ao falar sobre a realidade dos estados e municípios, a representante do Centro Cultural Luiz Freire (PE), Ana Nery, ressaltou que a participação no orçamento ainda é um desafio, assim como o acesso às informações: “permanece a dificuldade para acompanhar a execução orçamentária, a chegada e a saída de recursos”, disse ela. As pessoas que se pronunciaram durante o debate demonstraram que os desafios e as dificuldades para uma intervenção no orçamento público são semelhantes nos diferentes estados e municípios, variando apenas o grau das dificuldades.

 Ana Nery também destacou a necessidade de fazer uma reflexão sobre a própria atuação do FBO. Para ela, o Fórum é reconhecido como um ator político importante e demonstra autonomia em relação ao Estado; mas, apesar de já ter feito muito, precisa fazer ainda muito mais para alcançar os objetivos a que se propõe.  Ana Nery falou sobre a importância de repensar as estratégias do Fórum e de intensificar o envolvimento das organizações que o compõem. Sobre essa questão, Iara Pietricovsky, do Colegiado de Gestão do Inesc, sugeriu a implementação de ações coletivas estratégicas capazes de aglutinar as organizações do FBO em torno de pontos comuns.

 Houve bastante convergência, entre os participantes, sobre o fato de que um dos desafios de atuar na questão orçamentária está em intervir não apenas em relação aos gastos, mas também em relação ao financiamento. E nesse ponto, muitos apoiaram a defesa feita por Evilásio Salvador, no sentido de focar a reforma tributária como um debate importante para a agenda do Fórum.

Hoje (30/05), está sendo realizada a assembléia do FBO. O horário da manhã foi reservado para a definição do programa de trabalho para o biênio 2008/2010, e à tarde será eleita a coordenação do Fórum Brasil de Orçamento para o próximo biênio.   

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