Parlamento do Mercosul
Fabrício Araújo
No dia 7 de Maio foi realizada a primeira sessão do Parlamento do Mercosul em Montevidéu que contou com a participação dos representantes do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela, este país ainda em processo de adesão e com direito a voz. Cada país membro contará com 18 representantes para a formação do Parlamento. Houve, portanto, uma divisão igualitária dos assentos entre os países-membro que, no entanto, não reflete a situação populacional do continente.
O Brasil enviou uma comissão composta por nove deputados e nove senadores sendo o senador Sérgio Zambiasi o presidente da comissão parlamentar. Sua formação se deu por meio da indicação de congressistas pelos líderes partidários e a quantidade de representantes indicados por cada partido foi proporcional a sua representação no Congresso Nacional. A composição (vide tabela abaixo) conta com a presença de parlamentares de todas as regiões do país. No entanto a participação da região sul é superior às demais, totalizando 44%. Isso reflete o forte impacto que o Mercosul tem sobre esses estados de fronteira. Pode-se deduzir que essa forte representação é uma tentativa de assegurar que as propostas formuladas no Parlamento atendam aos interesses desses estados.
Durante as sessões foram escolhidos o presidente e os vice-presidentes do Parlamento do Mercosul além de serem realizados os primeiros debates. Novas sessões devem ocorrer mensalmente em Montevidéu, propiciando constantes debates para a maior efetividade do Parlamento. Um tema que deve ser trabalhado pela comissão brasileira, e já enunciado pelo senador Sérgio Zambiasi, diz respeito às questões trabalhistas:
[1]“Aqui, faço referência a um pronunciamento do Senador Paulo Paim, em sua preocupação com a harmonização das legislações trabalhistas e previdenciárias dos Países membros do Mercosul. Seguramente, será uma das grandes bandeiras... Não tenho dúvida de que essa harmonização das legislações será a maior bandeira dos trabalhadores do bloco.”.
Vale ressaltar que o Parlamento não tem a dimensão da supranacionalidade e, portanto, não realizará funções legislativas, limitando-se às atividades de recomendar a adoção de normas ou práticas para o bloco ao Conselho do Mercado Comum e solicitar a ele relatórios sobre questões relacionadas ao processo de integração, exercendo uma função de controle. No entanto o Parlamento tem o importante papel de efetuar uma tramitação mais eficaz nos Congressos Nacionais das normas propostas no Mercosul que requeiram aprovação legislativa nos Estados participantes do Bloco. Como constata o senador Pedro Simon:
[2]“A verdade é que o baixo volume de normas internalizadas pelos ordenamentos jurídicos nacionais gera enorme insegurança jurídica no interior do bloco.
Tenho certeza de que os debates públicos que serão travados no novo espaço parlamentar — com ampla participação da sociedade civil — contribuirão muito para uma maior transparência do processo de integração.”
O Parlamento do Mercosul, que terá sua primeira sessão dia 7 de Maio, representa a conquista um importante passo para o processo de integração regional. Além de facilitar o processo, funcionará como uma caixa de ressonância em que as sociedades serão representadas, contando com a participação da sociedade civil e do voto representativo a partir de 2010.
Comissão Brasileira de parlamentares do Mercosul
|
Senadores titulares |
Partidos |
Regiões que representam |
|
Sérgio Zambiasi |
PTB |
RS |
|
Pedro Simon |
PMDB |
RS |
|
Geraldo Mesquita Júnior |
PMDB |
AC |
|
Efraim Morais |
PFL |
PB |
|
Romeu Tuma |
PFL |
SP |
|
Marisa Serrano |
PSDB |
MT |
|
Aloizio Mercadante |
PT |
SP |
|
Cristovam Buarque |
PDT |
DF |
|
Inácio Arruda |
PCdoB |
CE |
|
Deputados titulares |
|
|
|
Cezar Schirmer |
PMDB |
RS |
|
Dr. Rosinha |
PT |
PR |
|
George Hilton |
PL |
MG |
|
Max Rosenmann |
PMDB |
PR |
|
Claudio Diaz |
PSDB |
RS |
|
Geraldo Resende |
PPS |
MS |
|
Germano Bonow |
PFL |
RS |
|
Beto Albuquerque |
PSB |
RS |
|
José Paulo Tóffano |
PV |
SP |
[1] Pronunciamento do senador Sérgio Zambiasi (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro /RS) Data 30/03/2007 Casa Senado Federal
[2]Autor Pedro Simon (PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro /RS) Data 14/12/2006 Casa Senado Federal Tipo Discurso
Fórum Social do MERCOSUL foi lançado em abril na Argentina
O
Comitê Organizador do Fórum Social do MERCOSUL promoveu, em Buenos
Aires (Argentina), o lançamento internacional da conferência, de 15 a
17 de julho em Curitiba. “Vamos reforçar o convite para representantes
das entidades ligadas aos movimentos populares da América do Sul
participarem do Fórum”, informou o coordenador da Rede Assuntos de
Curitiba, Doático Santos, na abertura da plenária geral do sábado (17).
O evento contou com a participação do deputado federal e
secretário-geral da Comissão Parlamentar Conjunta do MERCOSUL, Doutor
Rosinha (PR) e o coordenador de Assuntos Internacionais do MERCOSUL do
Governo do Paraná, Santiago Gallo.
“Nossa intenção é iniciar o lançamento internacional do Fórum Social do
MERCOSUL nos primeiros dias do mês de abril”, adiantou Doático. Além de
Buenos Aires, outras capitais do MERCOSUL serão visitadas pelo Comitê
Organizador. A comitiva terá participação de representantes dos
movimentos populares de Curitiba e do Paraná, adiantou o coordenador
Doático, secretário especial do Governo para Assuntos de Curitiba.
Doutor Rosinha e Gallo também serão convidados para integrarem o grupo.
Na plenária Doutor Rosinha destacou sua atuação, de mais de quatro anos
e meio, na Comissão Conjunta do MERCOSUL, órgão que será extinto com o
lançamento do Parlamento do MERCOSUL, no primeiro semestre de 2007. O
deputando afirmou que, mesmo com uma atuação restrita e ainda “pouco
perceptível”, o MERCOSUL vem avançando no processo de integração dos
povos latinoamericanos. “Um reflexo disso é que entramos no século 20
sem nenhuma ditadura militar na América Latina, mesmo com nossa
dependência financeira dos grandes centros econômicos”, frisou em
referência às relações comerciais com Estados Unidos e países da Europa.
O início das atividades do órgão, em Montevidéo (Uruguai), será
definido nesta semana adiantou Doutor Rosinha. “Amanhã (hoje) estarei
me deslocando para o Uruguai para decidir quando começa a funcionar”. O
deputado, escolhido pelo bloco petista no Congresso Nacional, é um dos
18 parlamentares que Brasil poderá indicar ao Parlamento. Os demais
serão deputados e senadores de outros blocos e partidos políticos.
O Parlamento do MERCOSUL, na primeira etapa, terá 83 representantes dos
países do bloco econômico, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai,
Uruguai e mais recentemente a Venezuela (até o final do ano a Bolívia
será admitida, informou Doutor Rosinha). Os primeiros parlamentares do
órgão, eleitos de forma indireta, terão mandato de quatro anos (até
2010). Os novos integrantes serão escolhidos pela população de cada
país em períodos diferentes.
“A previsão é que em 2014 os parlamentares do MERCOSUL sejam escolhidos
em eleição direta e simultânea dos países”. O bloco econômico,
instalado em 1995 em função da economia de cada país, aos poucos se
transfora em instrumento de participação política na opinião do
deputado. “Temos que sair cada vez mais desta lógica comercial. Com o
auxílio dos meios eletrônicos (internet e os meios de comunicação) está
existindo uma participação maior de todos os povos e isto vai ajudar a
construir esta integração”, concluiu.
Localização – O coordenador de Assuntos Internacionais do MERCOSUL do
Governo destacou a localização estratégica do Paraná dentro do MERCOSUL
para receber o Fórum Social. “Isso sem contar que a problemática da
população do Estado é a mesma que ocorre em todos os países do MERCOSUL
e este fórum permanente vai discutir as questões e avançar nas
resoluções”, declarou. Para Santiago Gallo, o Parlamento não é
suficiente para resolver os problemas de integração dos povos.
“Precisa que a sociedade civil participe através dos movimentos
populares”. Gallo apontou outros dois itens que colocam Paraná em
destaque no contexto do MERCOSUL. O primeiro é o Aqüífero Guarani,
reserva de água subterrânea que abrange quatro países do MERCOSUL e
pelo menos cinco estados brasileiros. “O outro é o fato do nosso
governador ser o (Roberto) Requião, que tem uma visão estratégica do
MERCOSUL como uma realidade”.
A plenária geral contou ainda com participação do secretário Especial
de Assuntos Estratégicos Nizan Pereira, do deputado estadual Professor
Luizão, da vereadora de Curtitiba, Professora Josete, além de
representantes das entidades que foram a Rede Assuntos de Curitiba. O
Fórum Social do MERCOSUL, com expectativa de reunir 10 mil
participantes, tem como meta reforçar a candidatura de Curitiba para
receber o próximo Fósum Social Mundial, em 2009.
Paralelamente ao evento estão programadas outras atividades. No próximo
dia 13 de abril será aberta a exposição de fotos do último FSM, que
ocorreu no início desde ano em Nairóbi no Quênia (África). A mostra
estará aberta a visitação no espaço cultural Brás Muricy, anexo a
Secretaria Estadual de Cultura.