O PAC da Mineração nas Terras Indígenas
O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da mineração em terras
indígenas segue a passos largos. Atualmente circula (in off) no
Congresso Nacional uma nova versão do anteprojeto que pretende
regulamentar o parágrafo primeiro do artigo 176 e o parágrafo terceiro
do artigo 231 da Constituição Federal. A dúvida do governo federal é se
ele será apresentado como um novo projeto de lei (PL) ou como um
substitutivo ao projeto de lei nº 1.610/96 do senador Romero Jucá (PMDB/RR).
Ao contrário da versão anterior, comentada em Nota Técnica lançada pelo
Inesc em outubro de 2006
(http://www.inesc.org.br/publicacoes/notas-tecnicas/NT%20112%20-%20MA.pdf),
nessa foi eliminada a referência nominal aos ministérios e órgão, sendo
substituída por "órgão federal competente". Um problema que pode ser
apontado sobre está "técnica de persuasão" - a de não mencionar órgãos
com o "filme queimado" no meio indígena e indigenista, como é o caso da
Fundação Nacional do Índio (Funai) - é que em alguns artigos e
parágrafos fica pouco claro a qual órgão o texto remete.
Outro ponto que chama a atenção na versão atual é a eliminação da Funai
como gestor do denominado Fundo de Compartilhamento de Receitas sobre a
mineração em Terras Indígenas. Ficamos sem saber quem ficará responsável
pela gestão do Fundo. Será o "órgão federal competente"? Sob que
condições? Como fica o direito a autodeterminação dos povos indígenas
sobre seus territórios, os recursos naturais existentes e os benefícios
derivados do seu uso econômico?
O Inesc entende que a questão da mineração, assim como o tema do
aproveitamento dos recursos hídricos, deve ser tratada no marco das
discussões e encaminhamentos relacionados com a regulamentação da
Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Daí a
importância da refundação da Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos
Indígenas (FPDDI) e a instalação imediata da comissão parlamentar com a
incumbência de tratar, de forma organizada e participativa, dos
processos legislativos que tramitam na Casa, em particular o Estatuto
dos Povos Indígenas.
Ricardo Verdum
Assessor de Políticas Indígena e Socioambiental
Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc