Manifesto da Articulação das Mulheres Brasileiras
8 de Março
DIA DE LUTA PARA AS MULHERES FEMINISTAS
Manifesto da Articulação de Mulheres Brasileiras
A dominação e exploração das mulheres se agravam no contexto da
globalização. Mais que nunca é preciso articular a luta feminista. Por
isto, por todo o país, mais uma vez, vem às ruas a Articulação de
Mulheres Brasileiras.
Todas as mulheres têm direito a ter sua própria renda.
A pobreza e dependência econômica das mulheres são expressões da
exploração e instrumentos de dominação sobre as mulheres. Ter renda
própria é condição imprescindível para liberdade e autodeterminação das
mulheres na vida adulta e na velhice.
Lutamos por:
Somos contra a política econômica que não gera empregos! Somos
contra a exploração do trabalho para fins de lucro e contra os rumos do
desenvolvimento que concentra renda e produz exclusão!
Toda mulher tem direito à liberdade sexual, à autonomia reprodutiva e autodeterminação sobre seu corpo.
A exploração e mercantilização do corpo das mulheres crescem na
globalização, mas são expressões antigas e atuais da opressão e
exploração das mulheres. No Brasil, esta problemática é vivida,
sobretudo, pelas mulheres negras e pobres, desde o período colonial,
mantendo-se até os dias de hoje. A imagem do corpo da mulher associada
à venda de mercadorias reproduz, no plano simbólico, a idéia de que o
corpo das mulheres pode ser mercantilizado.
Lutamos:
Toda mulher tem direito à participação política.
A política é a atividade mais importante para transformar a vida das
mulheres e o mundo. Somente com participação política as mulheres podem
influir sobre os rumos de sua comunidade, seu país e o futuro do
planeta.
Lutamos:
Somos contra a criminalização da ação política dos movimentos sociais!
Queremos o fim de todas as formas de dominação e de exploração das mulheres.
Toda mulher tem direito à terra e à água, a usufruir e defender a biodiversidade, e a construir a agricultura ecológica.
O avanço sem limites do agronegócio é uma ameaça à libertação das
mulheres no campo e na cidade. O agronegócio é a cara moderna do
latifúndio patriarcal. Concentra terra e riquezas nas mãos de poucos,
provoca desmatamento e agrava problemas ambientais. Expulsa populações
inteiras de seus locais de moradia e produção, ameaça a biodiversidade
pelo uso de sementes transgênicas.
Lutamos por:
Queremos justiça contributiva e justiça distributiva nas finanças públicas
O Estado Brasileiro ainda é racista e patriarcal e as finanças
públicas, impostos e a distribuição do orçamento público sempre
estiveram a serviço das elites. Inicialmente, a serviço da Coroa
Portuguesa. Depois, das oligarquias canavieiras. Mais adiante, a
serviço das oligarquias cafeeiras. Nos anos JK, a serviço do empresariado industrial. Hoje, beneficiam os empresários do agro-negócio e o setor financeiro.
Nós, mulheres feministas, lutamos por:
Somos contra a política de superávit primário! E contra a separação
entre os objetivos da política econômica e das políticas sociais!
Toda mulher tem direito a uma vida sem violência.
A violência é um instrumento de dominação e opressão patriarcal sobre
as mulheres. É uma expressão histórica da opressão e da desigualdade
nas relações de poder entre homens e mulheres, que aumenta nos dias
atuais, das mais diversas formas. Mulheres são violentadas a cada
minuto e assassinadas todos os dias no Brasil!
Nesse contexto, a luta feminista contra a violência é uma luta:
Vamos apitar até a violência acabar!!!
A AMB é uma articulação política não
partidária, que potencializa a luta feminista das mulheres brasileiras
nos planos nacional e internacional. A AMB tem
sua ação orientada para a transformação social e a construção de uma
sociedade democrática, tendo como referência a Plataforma Política
Feminista (construída pelo movimento de mulheres do Brasil, em 2002).
No presente contexto, a AMB se orienta por
cinco prioridades: a mobilização pelo direito ao aborto legal e seguro,
a ação pelo fim da violência contra as mulheres, o enfrentamento da
política neoliberal, a organização do movimento e a luta contra o
racismo.
Compõem a AMB:
Articulação de Mulheres do Acre Na América Latina a AMB integra a Articulação Feminista Marcosur e o Comitê de Mulheres da Aliança Social Continental |