Conferência para a revisão de Durban
Dois importantes eventos da agenda contra o racismo no mundo foram realizados em Brasília, no mês de junho, e surpreenderam as expectativas. A “Conferência da Sociedade Civil das Américas - Preparatória para a Conferência Mundial de Revisão de Durban" e a “Conferência Regional para América Latina e Caribe Preparatória para a Conferência de Revisão de Durban”, esta última um encontro oficial de governos, tiveram como objetivo comum debater a revisão das propostas e o plano de ação aprovados em Durban, em 2001, durante a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata.
A Conferência que reuniu o campo social começou desacreditada e sob duras críticas. A ativista Jurema Werneck, que é do Conselho Diretor do Inesc e uma das coordenadoras da ONG Criola, reclamou que o processo estava disperso, com baixo fluxo de informações, e que uma das principais preocupações do campo social seria a de evitar retrocessos e defender o direito da sociedade civil, "que está sob ataque nas Américas", de ser um dos atores protagonistas.
Jurema reclamou da “má vontade generalizada dos governos em relação ao tema”. Ela entende que o governo brasileiro, no âmbito internacional, está entre a minoria que tem defendido o tema na agenda. Mas, apesar do bom discurso externo, tem uma péssima prática interna (confira a matéria completa).
Referência internacional
A Conferência da sociedade civil, no entanto, surpreendeu todas as expectativas. Segundo a ativista Nilza Iraci, da ONG Geledés, o resultado mais expressivo da Conferência encontra-se no fato de que o documento-base latino-americano, tirado do encontro após debates acirrados mas substantivos, servirá de referência internacional para a realização das outras Conferências Regionais que ainda serão realizadas nos demais continentes, como Europa, Ásia e África. Assim, afirma Nilza Iraci, os resultados da Conferência da Sociedade Civil realizada no Brasil vão influenciar diretamente outros continentes e subsidiar as Conferências subseqüentes. A versão final desse documento será concluída neste mês de agosto e apresentada à ONU.
De acordo com Nilza Iraci, não se esperava muito da Conferência porque a mesma foi organizada em condições adversas: pouco dinheiro e pouco tempo para a mobilização. De acordo com ela, houve apenas um mês e meio para mobilizar os representantes da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá. A Conferência, que faz parte do ciclo social da Organização das Nações Unidas (ONU), tinha prazo para acontecer e não podia mais ser adiada – a previsão inicial era que ocorresse em março. A falta de recursos dificultou o processo. A maior parte do orçamento foi bancada pelo governo brasileiro, e o restante ficou por conta de um pool de agências da ONU (confira a matéria completa).
A “Conferência Regional para América Latina e Caribe Preparatória para a Conferência de Revisão de Durban”, evento que ocorreu logo após a Conferência da sociedade civil, reconheceu a importância do encontro feito pelo campo social, afirmou Nilza. A reunião dos governos foi acompanhada por representantes da sociedade civil. Os governos dos Estados Unidos e do Canadá, que se recusam a participar do processo, foram as grandes ausências.























