Edição Nº 2 - Notícia 05
Publicado em 26/05/2010 15:19
Troca de vivências e experiências
Inesc recebe, por dois meses, jornalista integrante de organização social angolana
Desde 2005, o Inesc investe em ações para estreitar os laços com países africanos e estabelecer parcerias com organizações daquele continente. Como mais uma etapa para alcançar este objetivo, a instituição recebe, em um programa de intercâmbio, a militante angolana Isabel Bueio, da Associação Angolana Omunga. Membro da Brigada de Jornalistas da organização, Isabel veio para o Brasil graças à parceria do Inesc com o Open Society Institute.
Isabel permanecerá junto à equipe do Inesc por dois meses. Neste tempo, vivenciará a rotina da organização, o que possibilitará a troca de experiências, estratégias e articulações. No entanto, os benefícios não são unilaterais. O Inesc também terá muito a absorver, já que a Omunga possui ideais em comum com o Instituto.
Atuando desde 1998, a organização africana intervém na área dos direitos econômicos, sociais e culturais por meio de ações de advocacy que proporcionam às crianças e aos jovens em situação de risco o acesso gratuito aos serviços públicos de educação e saúde.
Para Alexandre Ciconello, advogado e assessor do Inesc, receber Isabel é uma ótima oportunidade para se conhecer melhor realidade angolana, sua cultura, as lutas dos movimentos sociais e, principalmente, como o orçamento público em Angola está estruturado. Segundo ele, um dos principais objetivos do intercâmbio é aprofundar os conhecimentos em torno da estruturação do orçamento público nos países africanos para que uma análise mais precisa, detalhada e aprofundada possa ser feita.
Em entrevista ao boletim do Inesc Notícias, Isabel fala um pouco sobre sua experiência, sobre a relação Omunga/Inesc, suas expectativas e impressões. Confira a entrevista completa:
Há quanto tempo está no País? O que mais te surpreendeu?
Estou em Brasília (Brasil) desde o dia no dia 19 de abril. E o que mais me surpreendeu foi o espaço conquistado pelas ONGs brasileiras no escalão dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário). E principalmente a atuação dessas organizações nas escolas das cidades satélites em Brasília.
Durante a permanência no Inesc, percebeu algum ponto de convergência de atuação, estratégias e lutas entre a organização que te acolheu e a sua de origem?
Claro, porque as ONGs, apesar de atuarem em lugares diferentes geograficamente, têm a mesma missão, visão e sonhos. Ambas defendem as mesmas temáticas (falo de direitos) de acordo ao contexto de cada país. No que refere às estratégias, considero "pontos convergentes", por exemplo, o compromisso em envolver as crianças e jovens nos assuntos ligados aos direitos humanos de modo que eles comecem a falar por si e estimular desde cedo a sua participação ativa nos assuntos do país a fim de acabar com o tempo em que os adultos decidiam pelas crianças e jovens.
Outro foco é a defesa dos direitos humanos na perspectiva da comunicação. A Omunga defende e acredita que as pessoas, quando bem informadas, participam, questionam sobre os diversos assuntos do seu país. Envolver desde cedo meninos e meninas, dando a eles as noções sobre a importância dos meios de comunicação, como podem ser usados a nosso favor ou como forma de pressão é muito fortalecedor.
Tal como o Inesc, a Omunga não tem apenas uma temática. Ela defende vários direitos (protagonismo e participação política juvenil; defesa e promoção dos direitos das crianças e jovens; promoção dos valores do pacifismo e prevenção da violência; garantia do direito à informação e habitação digna; e monitoramento do orçamento público), mas as lutas e ganhos são diferentes, de acordo com o contexto. A Omunga é uma das ONGs mais ativas de Angola, e já obteve resultados significativos. O mais recente foi a "marcha contra as demolições e desalojamentos forçados".
Realizada em 10 de abril deste ano, protestou contra essas ações das quais muitas famílias são alvo, apesar de as demolições e desalojamentos terem sido proibidos pelo governador provincial de Benguela/Angola. Há ainda ganhos como a implementação do programa Quintas de Debate, que visa proporcionar um espaço de discussão e juntar diferentes visões; as oficinas de vídeo e de informática, entre outros.
E pelo pouco tempo de convivência com a equipe do Inesc senti uma grande sensibilidade quanto às questões que defendem e que o fazem acreditando num futuro melhor e mais justo para todos os brasileiros.
E quanto aos pontos divergentes, novidades ou estratégias inovadoras que encontrou no Inesc, quais foram os que mais te surpreenderam ou encantaram? E o quê pretende levar para a Omunga?
O que seria uma vitória sem igual na história de Angola seria alcançar a atuação presente e ativa conquistadas no Congresso Nacional pelas ONGs no Brasil. Também é importantíssimo referenciar o trabalho que o Inesc tem desenvolvido com as escolas. A Omunga encontra dificuldade em levar os ideais defendidos para a Assembleia Nacional e também em envolver diretores e professores das escolas no debate dos direitos da criança e do jovem. Essas ações do Inesc, principalmente, nos servirão de base para desenvolver estratégias que serão aprofundadas de modo a achar outras metodologias para alcançar resultados iguais.
E o que de mais importante, até agora, o Inesc agregou a você?
Foi poder participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do trabalho desenvolvido pelo Siga Brasil e, principalmente, ter participado na Campanha Global um Gol pela Educação, organizada no Gama (DF), envolvendo várias entidades da educação, desportivas, crianças e jovens e da sociedade civil todos em prol de um ensino de qualidade.























