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Racismo: questão central para uma agenda alternativa

Sueli Carneiro

Entrevista a Luciana Costa


foto sueliInesc: Quais são os princípios fundamentais que devem ser considerados na construção de uma agenda alternativa de desenvolvimento aqui no Brasil?

S.C.: Eu creio que, historicamente, tem havido uma dificuldade, mesmo em setores progressistas da sociedade, de reconhecer a função estruturante que o racismo tem nos padrões de violação de direitos humanos no Brasil. Se nós admitirmos que as violações dos direitos humanos estão muito localizadas, e a grande magnitude que elas assumem sobre populações historicamente excluídas, vulnerabilizadas, discriminadas e consideradas seres humanos “não suficientemente humanos”, teríamos que ter essa temática [do racismo] como central nos desafios para a realização plena dos direitos humanos no Brasil. Mas não é isso que ocorre.

Em geral, é uma temática que, historicamente, foi tratada de forma marginal ou sequer foi reconhecida. É um padrão de compreensão da sociedade brasileira que vem se alterando, mas não o suficiente para lidar com a centralidade que ela tem. E isso me parece ainda fundamental, sobretudo num momento em que temos uma reação violenta de setores conservadores, que estão tentando fazer retroceder a legitimidade que essa temática vem conquistando na sociedade. Por isso, é um momento de muita preocupação. Não necessariamente pela avalanche conservadora, porque ela repete outras reações, em outros momentos de outras conjunturas. O que assusta mais é a inação, o imobilismo da parte progressista da nossa sociedade, dos movimentos sociais e de organizações não-governamentais, para fazer frente a essa reação. É uma reação que conjuga importantes atores, mídia, intelectuais, parcelas importantes das elites econômicas – todas operando em uníssono para desautorizar as reivindicações de um movimento histórico, como é o movimento negro. Isto é, querem desconsiderar reivindicações que são baseadas em observações empíricas, estudos e pesquisas que mostram uma desigualdade racial brutal no Brasil; e que, conjugada a ela, existem padrões de violência sobre a população negra que beiram a práticas genocídas. Isso é uma coisa fundamental a ser observada. É muito gratificante que o Inesc assuma a responsabilidade de pautar os temas gerais estratégicos para responder positivamente a uma agenda de reconhecimento dos direitos humanos. E que, no interior dessa preocupação, o Inesc paute com essa importância esse tema das desigualdades raciais, do racismo, da discriminação, e da violência que a violação dos direitos humanos produz.


“tem havido uma dificuldade, mesmo em setores progressistas da sociedade, de reconhecer a função estruturante que o racismo tem nos padrões de violação de direitos humanos no Brasil”


Inesc: Além de iniciativas como a do Inesc, o que pode ser feito para mobilizar o campo social para esse enfrentamento contra as forças conservadoras? Como buscar um caminho que, de fato, faça a diferença?

S.C.: Acho que a primeira questão crítica é a gente não aceitar nenhuma forma de silenciamento das nossas vozes, sobretudo como a que os meios de comunicação estão empreendendo nesse momento. A indignação e a solidariedade – como já foram apontadas pelo Paulo Carbonari – são princípios inegociáveis que têm que ser manifestados nesses momentos de reação conservadora. Isso, para que se saiba que existem outras forças políticas na sociedade civil e no governo que não compartilham com a idéia de manutenção dos padrões de violência, de desrespeito aos direitos humanos, e de desigualdade; e que são forças que se mantêm firmes na defesa desses princípios, sobretudo indignadas e solidárias aos grupos que estão sendo, nesse momento, desqualificados e criminalizados no seu legítimo pleito por reconhecimento de seus direitos.


“A indignação e a solidariedade (...) são princípios inegociáveis que têm que ser manifestados nesses momentos de reação conservadora”

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