ONGs querem saber critérios do governo para corte de gastos
Agência Brasil
Ana Paula Marra e Daniel Merli
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - O Fórum Brasil de Orçamento (FBO), rede fomada por 54
organizações da sociedade social, enviou hoje (12) ao presidente Luiz
Inácio Lula da Silva uma carta pedindo mais transparência na execução
do orçamento. O fórum quer saber quais os critérios que o governo
federal usa para decidir quais recursos vão ser contingenciados. Amanhã
(13) deve ser publicado o decreto que contingencia os recursos do
Orçamento-Geral da União.
Todos os anos, o governo federal
bloqueia alguns recursos do orçamento. O objetivo é fazer uma economia
de gastos, chamada de superávit primário, para cobrir os gastos com
juros da dívida.
"Nos últimos anos, a maior parte dos recursos
contingenciados foram concentrados em ministérios que executam
programas de cárater nitidamente social", afirma a nota do Fórum Brasil
de Orçamento. Por isso, a carta exije que o governo federal torne
público quais critérios usa para decidir quais verbas serão ou não
cortadas.
Em entrevista hoje, o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, afirmou que as obras previstas no Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) não serão contingenciadas.
A carta das organizações não-governamentais (ONGs) pede que os
investimentosprevistos no PAC "não devem se sobrepor" aos gastos
sociais.
"A retomada do crescimento econômico, via política de
investimentos, não pode ser apartada do desenvolvimento social do país.
A execução plena dos recursos orçamentários para os gastos sociais é
fundamental para a concretização das políticas públicas no país e para
assegurar o desenvolvimento social", defende a carta.
O texto
ainda critica a falta geral de transparência na execução do orçamento.
"É impossível para a sociedade acompanhar a execução do Orçamento da
União e exercer o necessário controle social sobre os gastos públicos
devido à falta de transparência do governo federal e da não divulgação
dos cortes pelos respectivos órgãos executores”.
Segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), de cada R$ 10 previstos no Orçamento da União de 2006, R$ 1 não foi aplicado.